Tabagismo, nutrição e alimentação

por Nutricionista Marcella Lamounier - CRN1 3568

Nicotiana tabacum é o nome científico do tabaco, cujas folhas secas são utilizadas para a fabricação de cigarro, charuto, rapé, fumo-de-rolo, etc. A planta era consumida inicialmente por povos indígenas da América Central em rituais religiosos, e seu uso medicinal foi muito difundido na Europa por volta do século XVI. Porém, após a Segunda Guerra Mundial, ocorreu uma grande expansão no consumo de tabaco entre homens e mulheres sob forma de cigarro em todo o mundo. Atualmente, o Brasil é um dos maiores produtores de tabaco, havendo maior cultivo na região Sul.

Segundo a Organização Pan Americana de Saúde, uma pessoa deve ser considerada fumante quando a mesma já fumou mais de 100 cigarros na sua vida, e ainda continua fumando. O hábito de fumar causa milhões de mortes em todo o mundo anualmente, sendo responsável por altas taxas de mortalidade e morbidade. Essa relação ocorre porque o tabagismo se tornou um grande fator de risco para outras doenças. Portanto, esse hábito pode trazer diversos malefícios à saúde, como: desenvolvimento de doenças cardiovasculares (hipertensão arterial, acidente vascular cerebral, infarto, trombose e taquicardia), problemas no sistema respiratório (rinite, bronquite, sinusite, asma, enfisema pulmonar e produção de muco), impotência sexual nos homens, vários tipos de câncer (boca, laringe, esôfago, pâncreas, pulmão, próstata, útero, bexiga e rins), úlceras no aparelho digestivo, incidência de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), alterações do perfil lipídico (principalmente a redução do HDL-colesterol), osteoporose, mudanças de humor e alteração do sistema imune da pessoa (tornando-a mais vulnerável a doenças infecciosas).

O tabaco traz esses prejuízos à saúde por apresentar substâncias na fumaça do cigarro. A fumaça contém mais de 4 mil compostos químicos. A nicotina é a substância mais comentada, pois ela é a principal causadora do vício por agir diretamente no sistema nervoso central. A fumaça também contém o alcatrão (produto cancerígeno, por atuar no material genético das células, fazendo com que elas cresçam de maneira desordenada, provocando o câncer) e metais pesados.

Constantemente, os fumantes relatam que perdem peso ao iniciar o vício, e posteriormente ganham peso quando decidem parar de fumar. A perda de peso ocorre porque a nicotina age no cérebro da pessoa inibindo o apetite, e por isso o fumante come menos. Já o ganho de peso está mais relacionado com as mudanças psicológicas sofridas ao cessar o contato do organismo com a nicotina. Os fumantes ficam mais ansiosos e estressados (comportamentos normais ao parar de fumar), e tentam compensar esses sintomas com o consumo excessivo de alimentos ricos em gordura e açúcar. A mudança de paladar é causada pela ação dos compostos químicos do tabaco, podendo melhorar com o controle do vício.

Os problemas de saúde não são vistos somentes nos fumantes. As pessoas consideradas “fumantes passivos” também podem apresentar doenças devido ao constante contato com a fumaça do cigarro. Por exemplo, estudos demonstram que mães as quais fumam durante a gestação podem gerar crianças com alterações neurológicas, redução do perímetro cefálico, baixo peso e baixa estatura, além de trazer riscos à mãe e aborto espontâneo. Outras pesquisas relacionaram baixa presença de alguns nutrientes (ácido fólico, vitaminas A, C e B12) na circulação sanguínea de fumantes passivos, especialmente de crianças que têm pais ou responsáveis fumantes, devido ao estresse oxidativo provocado pela exposição diária à nicotina.

Uma alimentação variada e equilibrada, aliada a prática de atividade física, podem ajudar o ex-fumante a controlar os sintomas nas crises de abstinência e também melhorar a qualidade de vida. Para orientações espefícificas, é importante procurar um profissional nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Marcella Lamounier - CRN1 3568 - Nutricionista em Brasília.

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Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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