Será que todas as orientações e dicas funcionam para todo mundo?

por Nutricionista Ana Paula Fidélis - CRN9 6192

Olá Leitores! Atualmente a obesidade, excesso de peso, gorduras localizadas não são vistas somente na parte estética, mas sim da saúde. Sabe-se que quanto mais peso em excesso, maiores são os riscos de desenvolvimento de doenças  como diabetes, hipertensão, câncer, alteração nos exames de sangue como aumento da glicemia (açúcar no sangue), do colesterol, dos triglicérides e diminuição das defesas do sistema imunológico. Além disso há constantes alterações hormonais fazendo com que o corpo modifique o modo de reagir frente a determinados estímulos como estresse, sedentarismo, alcoolismo e alimentação inadequada. A consequência para isto será uma desordem metabólica enorme no qual os sintomas irão variar deste mais aumento de gordura e obesidade até doenças mais graves como Alzheimer, infarto, AVC (acidente vascular cerebral) e outros.

Você sabia que os sintomas como fadiga, cansaço, desânimo, dor de cabeça, estresse, dores articulares, tristeza, depressão e outros sintomas também estão relacionados ao excesso de peso? Infelizmente o corpo não funciona adequadamente quando as reservas de energia (gordura) estão em excesso e para isso é preciso buscar alternativas para emagrecer.

Vamos lá! O emagrecimento é algo sempre buscado principalmente pelas mulheres mas os homens agora estão ficando preocupados também. O conceito popular de emagrecimento é algo transferido quase simultaneamente para todas as pessoas que desejam o mesmo fim. Quase todo mundo tem alguma dica para perder peso ou sabem por ler em algum site não é mesmo?

Posso dizer que felizmente, todos nós não somos iguais! Para isso temos rostos diferentes, personalidades, atitudes, altura, peso e tudo diferente uns dos outros. Até os irmãos gêmeos não tem o mesmo DNA! E nada mais sensato do que ter uma alimentação diferente! O emagrecimento não pode ser visto como algo simples e de fácil alcance. Infelizmente o corpo não responde bem quando “perde” gorduras ou algo que ele demorou para ganhar. E você sabe por que?

1 – O cérebro funciona como uma criança. Se você ofertar o mesmo alimento, aquele que te faz bem, que você gosta, ele vai querer este alimento sempre! É preciso mandar estímulos constantes para o mesmo, sem desequilíbrios. Para isso é necessário fazer algumas restrições para que o seu cérebro perceba que está havendo mudanças e que você não vai mais precisar do alimento que antes era o seu vício, por exemplo, doces.

2 – Quando há perda de peso o corpo tem mecanismos para recuperar o peso perdido. E a base para isto é que a cada quilo perdido é necessário manter na dieta com restrições pelo menos 1 mês. Ou seja, perdeu 10kg, tem que ficar na dieta por 10meses. E este item também é relacionado com o item 1.

No começo você leu que o corpo responde diferente aos estímulos e que o excesso de peso modifica a resposta pelo sistema imunológico. Este parâmetro é aplicado à alimentação e como o seu corpo reage frente a determinados alimentos. Tem pessoas que podem muito bem consumir doces que não ficarão viciadas e necessitadas sempre de doces ou pessoas que consomem aveia, ameixa e outras fibras e o intestino fica mais constipado (preso) do que antes, mesmo bebendo água! E ainda, pessoas que fazem tudo absolutamente certo da dieta e não perdem nem 1 grama de gordura. Por que isso acontece?

1 – O seu corpo responde a determinados alimentos de forma diferente as outras pessoas! O mesmo alimento que pode ser um remédio para um, pode ser o veneno para outro. Exemplo: a linhaça dourada pode fazer o intestino de uma pessoa funcionar muito bem e o da outra constipar ainda mais (prender). Tem pessoas que respondem bem à dietas restritivas, com baixas calorias mas tem outras que dietas mais flexíveis são mais toleradas pelo corpo.

2 – Os hormônios podem funcionar diferentemente em cada ser humano. Claro que há funções iguais e semelhantes mas a resposta hormonal frente a estímulos pode ser diferente. Vejamos na alimentação: a soja tem substâncias hormônio-símile. Estas substâncias funcionam como hormônios e no caso da soja é semelhante ao estrógeno (hormônio feminino). Mulheres que tiveram câncer de mama (é um tipo de câncer responsivo ao estrógeno) preferencialmente não devem consumir soja pelos estudos clínicos não conclusivos. Ou pessoas que tem maior chance de ganhar peso os hormônios podem funcionar de maneira diferente e consumindo produtos que tem ação parecida com hormônios, isto pode piorar!

3 – Infelizmente a obesidade ou o excesso de peso podem ser característicos ou seja, tem pessoas que ganham peso mais facilmente e por isso mais do que nunca a alimentação tem que ser diferente. Exemplo: pessoas que ganham peso fácil, tem efeito sanfona se consumirem produtos que alteram a função tireoidiana (o que reflete o metabolismo) pode piorar o quadro. Estes produtos são chá verde, adoçante sucralose (presente em produtos saudáveis), adoçantes industrializados (aspartame, ciclamato, sacarina sódica), adoçante frutose e soja.

4 – As mesmas dietas não funcionam a longo prazo porque não são adequadas a cada pessoa, estilo de vida, hábitos. O resultado a curto prazo pode até aparecer, mas o peso vai retornar ou outros sintomas irão aparecer e infelizmente as pessoas ainda não ligam isso à alimentação.

O mais importante a refletir sobre este texto é que dicas simples para emagrecimento podem não te favorecer. A informação tem que ser passada sim, mas é muito relevante procurar um profissional da área, o nutricionista, para ter resultados mais satisfatórios. O conhecimento é importante mas é mais seguro aplicar depois de consultar alguém formado para realizar este tipo de questão. As dicas generalizadas como comer de 3 em 3 horas, beber bastante água, comer frutas, verduras e legumes, evitar carne vermelha em excesso, gordura saturada, trans, produtos de padaria, salgadinhos, doces e massas são muito válidas! Mas dietas iguais, orientações iguais e sobre algum tipo de alimento não deve ser feito para todo mundo!

Fonte:  ANutricionista.Com - Ana Paula Fidélis - CRN9 6192 - Nutricionista em Belo Horizonte.

The American Journal of Medicine, Vol 123, No 6, June 2010;

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NAVES, Andréia. Nutrição Clínica Funcional: Modulação Hormonal. 1a ed. VP editora. 2010;

NAVES, Andréia. Nutrição Clínica Funcional: Obesidade. 1a ed. VP editora. 2009
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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