Saúde intestinal: você já pensou nisso?

por Nutricionista Paulo Henrique Rodrigues - CRN8 6476

Saúde intestinal

Hoje em dia, muita gente reclama do funcionamento do intestino, não é verdade? Mas pouquíssimas pessoas procuram entender o porque disso acontecer. Você sabia que o simples fato de ir ao banheiro todo dia, NÃO quer dizer que seu intestino é saudável? Vamos saber um pouco mais dessa parte tão vital do nosso corpo?

O intestino é dividido em delgado e compreende duodeno, jejuno e íleo, e grosso, que compreende ceco, cólons (ascentendente, transverso, descendente e sigmóide), reto e canal anal.

O duodeno é a parte inicial do intestino delgado, começando logo abaixo do estômago, e é o responsável pela maior parte da absorção de nutrientes. O restante do intestino absorve alguns nutrientes e água.

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A parede intestinal é a responsável pela absorção dos nutrientes, e também responsável por proteger o organismo da entrada de substâncias e organismos estranhos, além de  alimentos mal digeridos.

No intestino encontramos também uma grande quantidade de bactérias, que formam a microflora intestinal. Essas bactérias são muito importantes, tendo até funções para o funcionamento normal do organismo, como por exemplo, ação antibacteriana em relação as bactérias patogênicas, ou seja, aquelas que podem causar algum dano ao organismo, estimula o sistema imunológico, participam na síntese da vitamina K e etc. Em um indivíduo saudável, o número de bactérias benéficas, ou seja, aquelas que não trazem prejuízos à saúde, é maior que o número de bactérias patogênicas, entretanto, alguns hábitos podem reverter essa situação.

A alimentação habitual, rica em açúcares, gorduras e substâncias químicas (presentes em produtos industrializados), além do baixo consumo de frutas e verduras, aliada a maus hábitos de vida (cigarro, excesso de álcool, sedentarismo) e automedicação (laxantes, antibióticos e etc.), danificam e muito não só a parede intestinal, como também afeta a flora microbiana do intestino. Essa desordem intestinal afeta não só este órgão, mas  a saúde do indivíduo como um todo.

Um intestino que tenha a parede danificada e a microflora alterada está propenso a uma má nutrição, pois a absorção dos nutrientes fica prejudicada. As carências nutricionais provocadas por essa má nutrição podem trazer consequências graves ao organismo, uma vez que a ação de certos nutrientes está diretamente ligada a presença de outro. Então, se determinado nutriente não for absorvido, outro que dependa deste não irá executar suas funções e assim sucessivamente, criando um ciclo. Um exemplo disso é o cálcio, o fósforo, a vitamina D entre outros, que participam juntos na formação dos ossos.

A alimentação é com certeza, determinante na melhora do intestino. Para que seja revertido todo o processo se faz necessário a exclusão, temporária na maioria dos casos, de alimentos industrializados, alimentos muito gordurosos, alimentos refinados, como o pão branco, e demais alimentos que podem ser identificados como agressores do seu organismo através da interpretação clínica de sinais e sintomas realizada por um nutricionista. Aliada a essa exclusão, deve ser feita uma substituição adequada para que seu organismo continue recebendo os nutrientes, e consiga iniciar o processo de reparação dos danos da parede intestinal.

Uma alimentação rica em fibras deve fazer parte da alimentação diária, tendo em vista que essas fibras ao serem fermentadas no intestino pelas bactérias, liberam ácidos graxos de cadeia curta, que vão nutrir as células intestinais, colaborando no processo de reparação. Como dito, as bactérias é que fermentam as fibras a fim de liberar tal ácido graxo. Para tanto, em alguns casos pode ser utilizado, a critério do nutricionista, os probióticos (microorganismos vivos  benéficos ao organismo), para melhorar a microflora intestinal.

Recomendações:

- Consumir frutas, com casca quando possível, em cada refeição;

- Aumentar consumo de saladas, principalmente de folhas cruas;

- Incluir na alimentação cereais integrais, como a linhaça e etc;

- Melhorar o consumo de água, no decorrer do dia, e não ingerir líquidos junto com a alimentação;

- Evitar a monotonia alimentar, ou seja, rodiziar ao máximo os grupos de alimentos (carnes, frutas, verduras, etc.) para que se obtenha uma maior variedade de nutrientes;

- Quando prescrito pelo nutricionista, fazer o uso correto do probiótico;

- Praticar um exercício físico orientado, uma vez que esse exercício colabora para no trânsito intestinal.

É sempre importante ressaltar que cada indivíduo possui suas individualidades, portanto para uma melhor eficácia no tratamento, o ideal é que se procure um nutricionista, para que este faça uma avaliação específica, e elabore um plano com as melhores medidas para você.

Fonte:  ANutricionista.Com - Paulo Henrique Rodrigues - CRN8 6476 - Nutricionista em Marialva.

Reis, N.T. Nutrição clínica - sistema digestório. Rio de Janeiro: Bubio, 2003.

Instituto de Metabolismo e Nutrição. Automedicação: o barato que sai caro e pode ser perigoso. Disponível em: www.nutricaoclinica.com.br.

Greca, F.H et al. Ação dos ácidos graxos de cadeia curta na cicatrização de anastomoses colônicas: estudo experimental em ratos. Acta Cir. Bras. vol. 13, 2000.

Saad, S.M.I. Probióticos e prébioticos: o estado da arte.Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas, vol. 42, n. 1, jan./mar. 2006.

Brandt, K.G et al. Importância da microflora intestinal. Pediatria, vol.28, n. 2, 2006.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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Um Comentário para “Saúde intestinal: você já pensou nisso?”

  1. weverson barros comentou:

    Muito bom! As pessoas não dão muita importância ao assunto “cuidar do intestino”. Estão mais preocupadas com a dieta e como a alimentação irá atingir seu peso. Acho que poderia comentar sobre como seria a forma saudável de irmos ao banheiro, cheiro e forma das fezes, gazes e urina como fator de observação de nossa saúde e do que nós comemos. Obrigado

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