Questão de calorias?

por Nutricionista Daniela Mendes Tobaja - CRN3 27602

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  • PÃO INTEGRAL X PÃO FRANCÊS

Mesmo contendo as mesmas calorias, as diferentes composições nutricionais fazem toda a diferença. Quanto mais farinha integral, maior a quantidade de fibras, que exercem um papel fundamental na saciedade, por exemplo.  As fibras por terem uma composição mais complexa, permanecem mais tempo no estomago, para serem metabolizadas, o que proporciona um tempo maior de saciedade. Além disso, as fibras tornam a liberação dos carboidratos mais lenta, não elevando muito a quantidade de açúcar no sangue (glicemia), diferente do pão francês refinado, que promove um aumento significativo de glicemia, o que favorece ao ganho de peso.  As fibras também exercem um efeito muito importante no intestino (servem de substrato energético as bactérias saudáveis), melhorando o transito intestinal e reduzindo o risco de câncer no intestino. Essas bactérias estão relacionadas a produção de serotonina,  o hormônio do bem estar. Vale a pena lembrar que, durante o processo de refinamento, as farinhas perdem muitos minerais e vitaminas. Os pães integrais apresentam vitaminas do complexo B, essenciais para a produção de energia, diferente dos pães refinados.

Observação: os pães integrais podem variar muito no teor de fibras de uma marca para outra.  Quanto mais farinha integral e menos aditivos (adoçantes, corantes, conservantes), maiores os benefícios.

  • PEIXE X CARNE VERMELHA

Em um geral, os peixes contêm maiores quantidades de gorduras classificadas como boas, que exercem um papel muito importante da produção hormonal, por exemplo. Essas gorduras, assim como as fibras atrasam a digestão por serem estruturas complexas e assim favorecem a saciedade e a um menor impacto de açúcar no sangue.  O Omega-3 é uma das gorduras presentes principalmente nos peixes de água salgada, que tem uma ação anti-inflamatória extremamente importante. Se pensarmos que a obesidade é uma doença crônica inflamatória, os alimentos que exercem um efeito anti-inflamatório favorecem a este quadro. Vale a pena lembrar que as carnes vermelhas contêm gordura saturada associada a doenças cardiovasculares e câncer. Segundo o Instituto Nacional de câncer, um pedaço pequeno (65g) por dia já aumenta estes riscos. Isso sem falar nos vários ativos (como hormônios, medicamentos) que são utilizados na prática de criação do gado e de frango, além de do estilo de vida (ração) e modo de abatimento destes animais. Destaco ainda que, muitas das vitaminas e minerais presentes nestes alimentos se perdem na cocção, estes mesmo minerais necessários a digestão proteica.  Essa má digestão pode ocasionar desconforto abdominal, muito sonolência após a refeição, constipação (intestino preso) e flatulências (gases).  Por isso, sempre devem ser acompanhadas de um bom prato de salada.

  • FRUTA X BARRA DE CEREAL

Não há substituição para as frutas. Entre elas a composição já difere muito, tanto em vitaminas, como minerais, carboidratos, fitoquímicos (compostos associados a benefícios a saúde), entre outros. As barrinhas de cereal por sua vez, na grande maioria apresentam poucas quantidades de vitaminas e minerais, maior quantidade de carboidratos, adição de conservantes, corantes, entre outros aditivos químicos associados à intoxicação. Os adoçantes são associados a perda de paladar, aumento da absorção de glicose (açúcar), disfunção na tireoide (como o hipotireoidismo), ou  até mesmo favorecendo ao aumento da pressão arterial (como no caso do ciclamato monossódico). A maioria das barras de cereal ainda podem conter leite ou derivados (associados a aumento da inflamação, por conterem a proteína Beta-lactoglobulina, que esta associada a processos alergênicos), além de chocolate ao leite, glúten, entre outros aditivos químicos.  No caso das barrinhas orgânicas, vale destacar que são boas opções de lanche, porém não substituem as frutas, que são ricas em antioxidantes, favorecem ao controle dos oxidantes (reações aumentadas principalmente no estresse). Na banana, por exemplo, temos o triptofano um importante precursor de serotonina.

O que quero demonstrar com estes exemplos é que a comparação de alimentos de mesma caloria ou mesmo grupo (carboidratos, proteínas, gorduras) não é suficientes para classifica-los como equivalentes, pois terão respostas metabólicas diferentes.  As diferentes respostas metabólicas vão ainda além dos nutrientes, temos que considerar a biodisponibilidade (quantidade do nutriente presente no alimento que será realmente absorvida) e a individualidade bioquímica de cada um, afinal o que é remédio para uns é veneno para outros.

Para maiores informações, consulte e seu nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Daniela Mendes Tobaja - CRN3 27602 - Nutricionista em Piracicaba.

Fernandes A. C., Medeiros C.O., Bernardo G.L., et AL. Riscos e Benefícos no consumo de peixe para saúde humana. Rev. Nutr. vol.25 no.2, 2012.

Castro-Gonzalez, M.I. Ômega 3: BENEFÍCIOS E FONTES. INCI v.27 n.3, 2002.

Paschoal V., Naves N., Fonseca A.B.B.L. Nutrição Funcional: dos princípios a prática Clínica. Coleção nutrição funcional.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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