Os benefícios do chocolate

por Nutricionista Marcella Lamounier - CRN1 3568

chocolate

O cacau (Theobroma cacao L) é uma planta nativa do continente americano, sendo o principal componente do chocolate. Os povos  Astecas e Maias utilizavam o chocolate em forma de bebida em rituais religiosos e de sacrifício, além de ser permitido seu consumo somente por homens de importante papel, como guerreiros e algumas autoridades das tribos. Com o passar dos anos, o chocolate foi ganhando popularidade em todo o mundo. Ele é muito utilizado nos dias de hoje tanto pelas indústrias de alimentos para comercialização de produtos, quanto pelas pessoas em suas preparações culinárias. Portanto, é possível encontrar chocolate em barra, em pó, fazendo parte da composição de bolos, bebidas, bombons, recheios, coberturas, entre outros.

O chocolate foi sendo reconhecido não só pelo seu delicioso sabor, mas também pela presença de substâncias chamadas de fitoquímicos, as quais demonstraram em pesquisas científicas benefícios potenciais à saúde do ser humano. Um exemplo de um grupo de fitoquímicos presente no cacau e de importante destaque é o grupo dos flavonóides.

As sementes de cacau e seus derivados (como o chocolate amargo, o cacau em pó e a massa de cacau) são fontes alimentares ricas em flavonóides, devido ao alto teor destes compostos nas sementes (em torno de 12 a 18%),  sendo que cerca de 60% do total deste grupo de fitoquímicos é formado essencialmente pelas catequinas, epicatequinas e procianidinas. Estes componentes podem agir como potentes antioxidantes no organismo, além de diminuir o risco de doenças cardiovasculares e câncer. Também podem melhorar a saúde do coração promovendo um fluxo adequado de sangue (reduzindo a pressão sanguínea), diminuição da tendência à agregação plaquetária (evitando infarto e acidente vascular cerebral) e a diminuição da oxidação do LDL colesterol.

Além de serem encontrados no chocolate, os flavonóides também estão presentes no vinho tinto, no chá verde, nas frutas e nos vegetais. Entretanto, a concentração de flavonóides no chocolate depende dos procedimentos usados durante a industrialização do cacau, os quais preservam a maior quantidade possível dessas substâncias no alimento, já que esses compostos são facilmente destruídos pelo calor.

A teobromina é outro fitoquímico (do grupo dos alcalóides) também presente em grande quantidade nos produtos de cacau. Em cada 100 gramas de chocolate é possível encontrar 160 miligramas de teobromina. Essa substância tem ação diurética, como também tem ação semelhante à cafeína, como estimulante do sistema nervoso central, do sistema respiratório e dos músculos cardíacos.

Além disso, o chocolate é rico em alguns minerais (tais como manganês, potássio e magnésio) e algumas vitaminas (como as vitaminas do complexo B por exemplo). Também apresenta em sua composição um tipo de gordura insaturada chamada de ácido oléico, sendo este conhecido por auxiliar na redução de colesterol.

Alguns tipos de chocolate, principalmente aqueles mais escuros e com menor teor de açúcar, têm maior potencial de contribuir para a saúde em relação aos chocolates branco e ao leite, devido a maior quantidade de cacau presente em sua composição. Mesmo sabendo de todos os benefícios deste alimento, é importante salientar que todo o tipo de chocolate deve ser consumido com moderação. Portanto, procure a orientação de um profissional Nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Marcella Lamounier - CRN1 3568 - Nutricionista em Brasília.

Referências Bibliográficas:
Dillinger TL, Barriga P, Escárcega S. Food of the Gods: Cure for Humanity? A Cultural History of the Medicinal and Ritual Use of Chocolate. The Journal of Nutrition 2000; 130: 2057S-2072S.

Richter M, Lannes SCS. Ingredientes usados na indústria do chocolate. Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas 2007; 43: 357-369.

Othman A, Ismail A, Ghani NA, Adenan I. Antioxidant capacity and phenolic content of cocoa beans. Food Chemistry, 2007: 100: 1523-1530.

Wang JF, Schramm DD, Holt RR. A Dose-Response Effect from Chocolate Consumption on Plasma Epicatechin and Oxidative Damage. The Journal of Nutrition, 2000; 130: 2115S-2119S.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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