Os alimentos mais contaminado por agrotóxicos

por Nutricionista Daniela Mendes Tobaja - CRN3 27602

agrotoxico

Por combater doenças tropicais, como a malária, entre as décadas de 50 e 60 os agrotóxicos eram considerados heróis por salvar muitas vidas.  Foi a partir de 62, que se iniciaram rumores dos efeitos nocivos a saúde e prejuízos ao meio ambiente, uma vez que compostos como as Dioxinas, PCBs, HCB, Furados, podem persistir no meio ambiente por até 30 anos.

Desde então já se falava em um aumento de risco de câncer e danos genéticos. Com o passar dos anos, tais efeitos se tornaram cada vez mais aparentes e muitas destas substâncias (cloradas) foram proibidas e substituídas por outras menos agressivas (organofosforados e carbamatos), que apesar de menos persistentes no meio ambiente, também apresentam efeitos tóxicos aos vertebrados, devida sua ação neurotóxica, levando a quadros de intoxicação e câncer.

Na década de 70, embora mais caro, o mercado também passou a utilizar os piretróides, que tem ação inseticida mais eficiente, portanto era utilizado em menor quantidade. Do ponto de vista saúde, estes apresentam efeitos irritantes na mucosa, olhos, alergias de pele, asma, entre outros. Os fungicidas (ditiocarbamatos), por exemplo, estão mais relacionados ao Parkinson, dermatite, faringite, bronquite, conjuntivite.

Desde de então, a preocupação com os impactos decorrentes do uso de agrotóxicos só vem crescendo,  principalmente nos países desenvolvidos, onde estes agentes químicos são muito utilizados. Hoje, sabe-se que o uso indiscriminado resulta em um impacto muito grande ao meio ambiente (contaminação das águas, solos, lençóis freáticos, etc.) e à saúde humana. Os sintomas mais relacionados são:

- Efeitos muscarínicos (brandicardia, miose, espasmos intestinais e brônquicos, estimulação das glândulas salivares e lacrimais);

- Nicotínicos (fibrilações musculares e convulsões);

- Centrais (sonolência, letargia, fadiga, cefaléia, perda de concentração, confusão mental e problemas cardiovasculares)

Deve-se considerar que efeitos crônicos podem surgir após 18 anos de exposição, como problemas oculares, respiratório, cardiovascular, neurológicos, gastrointestinais, desequilíbrios endócrinos, além de infertilidade e câncer (principalmente de pâncreas e próstata).

Recentemente um estudo identificou agrotóxico no leite materno e isso acontece, pois alimentos que teriam um potente efeito para desintoxicação estão contaminados com diversos agrotóxicos.

Estudos sugerem a analise sanguínea da enzima colinesterase, como indicador da relação entre exposição a agrotóxicos fosforados e carbamatos.

Atualmente o Brasil é um dos principais exportadores de produtos agropecuários e o primeiro mercado consumidor de agrotóxicos do mundo, embora o consumo (quantitativo) seja inferior ao de outros países.

O problema de toda esta questão está na política de produção agrícola no Brasil, que é mais pautada na quantidade do que na qualidade dos alimentos, sendo o principal foco a lucratividade. E para mudarmos isso, antes é necessário mudar a definição de “segurança alimentar” que passa pelos dois enfoques, o quantitativo e o qualitativo.

Com o objetivo de fiscalizar a produção de tais produtos com agrotóxico, em 2001 foi iniciado o Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos  em Alimentos  (PARA) pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Na ultima análise realizada em 2010 participaram 25 estados (São Paulo tem seu próprio  Programa de Análise Fiscal de Alimentos-“Programa Paulista”). O PARA monitorou  18 alimentos:

Os resultados demonstram teores de resíduos de agrotóxicos acima do permitido e o uso  de compostos não autorizados. Dos 18 alimentos, 17 apresentaram resultados inadequados:

Alimentos % amostras reprovadas
Pimentão 91,8%
Morango 63,4 %
Pepino 57,4%
Alface 54,2%
Cenoura 49,6%
Abacaxi 32,8%
Beterraba 32,6%
Couve 31,9%
Mamão 34,4%
Tomate 16,3%
Laranja 12,2%
Maçã 8,9%
Arroz 7,4 %
Feijão 6,5%
Repolho 6,3%
Manga 4%
Cebola 3,1%

Como nutricionista, recomendo que os alimentos listados acima sejam orgânicos.

Para maiores informações, consulte seu nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Daniela Mendes Tobaja - CRN3 27602 - Nutricionista em Piracicaba.

ANVISA – Agencia Nacional de Vigilância a Saúde. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/b380fe004965d38ab6abf74ed75891ae/Relat%C3%B3rio+PARA+2010+-+Vers%C3%A3o+Final.pdf?MOD=AJPERES
MOREIRA, J., JACOB, S., PERES, F. et. al. Avaliação integrada do impacto do uso de agrotóxicos sobre a saúde humana em uma comunidade agrícola de Nova Friburgo, RJ. Ciênc. saúde coletiva vol.7 n.2 São Paulo 2002.
PERES, F., MOREIRA, J. & LUZ, C. Os impactos dos agrotóxicos sobre a saúde e o ambiente. Ciênc. saúde coletiva, vol.12, n.1, pp. 4-4, 2007.
SOARES, W. “Uso dos agrotóxicos e seus impactos à saúde e ao ambiente: uma avaliação integrada entre a economia, a saúde pública, a ecologia e a agricultura”. Tese apresentada com vistas à obtenção do título de Doutor em Ciências na área de Saúde Pública e Meio Ambiente, 2010.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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