Ortorexia: Qual o limite do saudável?

por Nutricionista Daniella Cristina Fernandes da Silva - CRN3 14632

Do grego “orthos” – correto e ” orexsis” – fome, o termo ortorexia expressa o que em breve, poderá ocupar de vez, um lugar na lista dos distúrbios alimentares reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), entre eles a Bulimia ou Anorexia Nervosa. Mas do que se trata na prática?

Esse distúrbio foi descrito pela primeira vez em 1997 por Steven Bratman, médico americano que o caracterizou como uma fixação do indivíduo por uma alimentação saudável. Na verdade, o indivíduo sente imenso pavor de ingerir algum alimento que acredita prejudicar a saúde, o que geralmente o faz seguir uma dieta extremamente restritiva e por consequência inadequada em vários nutrientes.

O ortoréxico não se preocupa com o peso corporal e nem deseja ardentemente eliminar alguns quilinhos. Por muitas vezes influenciados pela mídia que nos bombardeia diariamente com a divulgação de dietas e alimentos  especiais para garantir a saúde, retardar o envelhecimento, prevenir o câncer, assim como por celebridades que divulgam hábitos alimentares inadequados e pelo marketing insistente da indústria de alimentos, os “ortoréxicos” exageram ou extrapolam uma informação geralmente correta.

Por exemplo, restringir o consumo de carnes vermelhas, gordurosas, é recomendado pelos nutricionistas, mas essa informação faz com que a carne vermelha, inclusive as magras,  seja totalmente excluída do cardápio dos portadores de ortorexia. Se é sabido que o pão integral possui mais fibras e pode ser uma escolha saudável, o ortoréxico passa a acreditar que o pão branco faça mal a saúde e o exclui do cardápio. Outra preocupação constante é com possíveis contaminantes sejam microbiológicos ou químicos. Estão sempre em busca de alimentos orgânicos isentos de agrotóxicos e podem percorrer grande distância e pagar altos preços por alimentos com propriedades funcionais e nutricionais duvidosas. Passam horas analisando os rótulos dos alimentos e dias planejando suas refeições. Muitos fazem uso de polivitamínicos de forma exagerada porque ouviram que a Vitamina C fortalece o sistema imunológico ou que o Cálcio previne osteoporose, por exemplo.

O portador da ortorexia também sofre prejuízos na vida social. Freqüentemente, evita todas as reuniões sociais que envolvam comida, porque a maioria não ingere nada que seja preparado fora de casa ou por pessoas desconhecidas. Com isso, festas, jantares, passeios em restaurantes, bares, sorveterias, ficam praticamente excluídos da rotina do indivíduo. A rotina familiar também pode ser prejudicada, porque geralmente o portador quer impor sua crença a outros membros da família.

Mas como saber quando a preocupação com a promoção do bem estar físico através de uma alimentação saudável está fugindo do controle e tornando-se um distúrbio alimentar?

É sabido que cuidados com a alimentação são necessários para a preservação da saúde.  A reeducação alimentar é sempre bem vida em nossa sociedade em que os números de casos de obesidade, doenças cardiovasculares e câncer crescem a cada dia. No entanto, a busca por informações corretas, com profissionais adequados, conhecedores dos consensos nutricionais da comunidade científica e da ética, assim como, pensamento crítico em relação ao que é apresentado na mídia, seja por programas de reportagem ou campanhas de marketing, pode afastar os perigos da ortorexia.

Bratman, indicou alguns questionamentos a serem aplicados em indivíduos com suspeita do transtorno:

  1. O indivíduo gasta mais de 3 horas pensando em sua alimentação?
  2. Planeja as refeições com muitos dias de antecedência?
  3. Considera a composição nutricional do alimento mais importante do que a sensação de prazer que ele proporciona?
  4. Sua qualidade de vida diminuiu conforme a qualidade da sua alimentação aumentou?
  5. Tem sido cada vez mais rigoroso com suas escolhas alimentares?
  6. Alimentar-se de forma saudável melhorou sua auto-estima?
  7. Rejeita consumir alimentos que gosta, por não considerá-los bons para a saúde?
  8. Tem dificuldade em alimentar-se fora de casa e se afastou dos amigos e familiares?
  9. Culpa-se quando ingere algum alimento que não considera saudável?
  10. Sente-se tranquilo com suas escolhas e acredita que tem total controle por alimentar-se saudavelmente?

Resposta afirmativa a 5 dessas questões indica que o indivíduo necessita estar alerto. Resposta afirmativa nas 10 questões indica obsessão pela alimentação saudável. O tratamento geralmente associa a terapia nutricional e psicoterapia para que o indivíduo desmitifique seus conceitos sobre o assunto.

Fonte:  ANutricionista.Com - Daniella Cristina Fernandes da Silva - CRN3 14632 - Nutricionista em Ribeirão Preto.

1-Bratman, Steven & Knight, David. Health Food Junkies. Nova York: Broadway Books, 2004.

2-http://www.orthorexia.com
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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