Obesidade Infantil: Uma reflexão para os pais

por Nutricionista Daniela Mendes Tobaja - CRN3 27602

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Atualmente, a obesidade infantil é classificada como uma epidemia. Nas ultimas três décadas a incidência de obesidade infantil triplicou. Podemos dizer ainda, que este número é tão crescente quanto o número de crianças com obesidade e desnutrição. Mas você deve estar se perguntando, como assim? Obesidade e desnutrição juntos?

Para entender melhor, primeiro vejamos o conceito de desnutrição e de obesidade:

Def. “A desnutrição pode ser definida como uma condição clínica decorrente de uma deficiência ou excesso, relativo ou absoluto, de um ou mais nutrientes essenciais.”

Def. “Obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de gordura corporal, que causa prejuízos à saúde do indivíduo.”

A obesidade e maus hábitos alimentares promovem grande impacto na saúde, podendo promover doenças crônicas, que é a principal causa de morte.

No Brasil, 40% da população adulta apresenta excesso de peso. Segundo o IBGE, uma em cada três crianças (de 5 a 9 anos) estão acima do peso. Lembrando que, crianças obesas têm 25% de chance de se tornarem adultos obesos, já os adolescentes apresentam 80% de chance de permanecer nesta condição na vida adulta. Destes casos, menos de 10% são causados por patologias hormonais, ou seja, a principal causa é a alimentação e a vida sedentária.

Hoje a maioria das crianças acima do peso se alimentam muito mal. Elas podem até comer frutas, mas esse consumo não é diário, na grande maioria dos casos. As verduras aparecem cada vez menos, muitas frutas e verduras são desconhecidas pelas crianças. E quanto à freqüência de refrigerante, fritura, bolo, chocolate e pizza? Esses sim fazem parte da rotina de muitas dessas crianças.

Os lanches escolares se tornaram mais industrializados (refrigerante, suco, salgadinho, bolacha, embutidos, etc.) pobres em vitaminas e minerais, rico em açúcar, sal, gordura, conservantes e corantes. Lembrando que o poder de compra destes produtos esta nas mãos dos pais, e estes devem ter mais discernimento, cuidado e carinho na hora de preparar ou comprar as refeições de seus filhos, afinal os filhos ainda não são responsáveis por suas escolhas, não podem por exemplo, dirigir até um Mc Donald’s.

Nos EUA, Espanha, Canadá, Escócia e Inglaterra, já existem casos de pais que perderam a guarda de seus filhos por estes apresentarem obesidade extrema.

No Japão, por exemplo, quem está acima do peso recebe um guia com instruções sobre alimentação saudável e exercícios. Quem, não seguir as recomendações e perder peso poderá pagar mais caro pelo plano de saúde.

Sem dúvida, o ambiente escolar tem um papel importante na vida dos escolares, mas apesar de muitas escolas abordarem em sua grade aulas sobre a pirâmide alimentar, a maioria dos escolares ainda fazem muita confusão sobre o assunto, uma vez em que os conceitos da pirâmide alimentar são vistos uma vez e não são seguidos em casa, principalmente por seus pais.

Segundo estudos, a postura do professor diante dos alimentos é muito importante, pois neste momento, eles são a referência. Sem dúvida, o comportamento dos colegas também influenciam bastante nesta faixa etária.

Sabemos que a rotina atual da maioria dos pais é muito difícil, e ter que chegar em casa e ainda acompanhar a rotina dos filhos, tanto alimentar, como escolar e emocional, que muitos se esquecem que deve ser DIÁRIA. Por exemplo, basta falar um dia só que eles tem que escovar os dentes? Acredito que não. E fazer a tarefa de casa? Já no caso da alimentação, o que vemos é um certo “descaso, preguiça ou desistência”. Não é necessário, nem se deve forçar uma criança a comer, isso pode ir contra os seus objetivos. O ideal é educar, falar sobre os benefícios e praticar. Se ainda sim tiver dificuldades, procure um nutricionista para melhores orientações ou mesmo para reeducação alimentar infantil.

Provavelmente, essas informações não são novidades para vocês pais, mas então eu pergunto, o que vocês estão fazendo para mudar essa situação?

FAÇA UM TESTE E AVALIE A ATUAL ALIMENTAÇÃO DO SEU FILHO:

1-) Seu filho(a) come frutas todos os dias:

A)   Não come todos os dias

B)   Come 1 fruta por dia

C)   Come 2 ou mais frutas por dia

2-) Com que freqüência seu filho(a) come salada:

A)   Raramente ou nunca

B)   Come 3 vezes por semana

C)   Come 1 ou mais vezes por dia

3-) Seu filho(a) toma refrigerante com que freqüência:

A)   Todos os dias

B)   Até 3 vezes por semana

C)   Só em ocasiões atípicas (aniversário, etc.) ou não toma nunca

4-) Seu filho (a) come doces  (bolos, biscoitos, chocolates, sobremesas em geral) com que freqüência:

A)   4 ou mais vezes na semana

B)   Menos de 3 vezes por semana

C)   1 vez por semana ou somente em ocasiões atípicas.

5-) Com que freqüência seu filho (a) come: salgadinhos industrializados ou frituras (nuggets, coxinha, batata frita, entre outros preparações fritas):

A)   2 ou mais vezes na semana

B)   1 vez na semana

C)   Esporadicamente

6-) Seu filho (a) se alimenta aproximadamente a cada 3 horas?

A)   Não

B)   As vezes

C)   Sim (sempre)

RESULTADO:

- Se assinalou a letra A – Alerta vermelho ! Algumas mudanças precisam ser realizadas na alimentação.

- Se você assinalou 1 ou mais letra B – Você esta no caminho certo, mas ainda pode melhorar.

- Se você assinalou todas as letras C – Parabéns! Educação Alimentar nota 10.

Fonte:  ANutricionista.Com - Daniela Mendes Tobaja - CRN3 27602 - Nutricionista em Piracicaba.

Moreira A. C. M. Educação nutricional na educação infantil: o papel da escola na formação de hábitos alimentares das crianças, considerando a problemática da obesidade infantil. Disponível em: HTTP://mx.mackenzie.com.br/tede/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=225

Oliveira K. S. Avaliação do material didático do projeto “criança saudável” – educação dez. Interface v.12, n.25, 2008.

Bizzo M. L. G., Leder L. Educação nutricional nos parâmetros curriculares nacionais para ensino fundamental. Ver. Nutr. V.18, n.5, 2005.

Marchi-Alves L. M., Yagui C.M., Rodrigues C.S., Mazzo A., Rangel E.M.L., Girão F.B. Obesidade infantil ontem e hoje: importância da avaliação antropométrica pelo enfermeiro. Esc. Anna Nery vol.15 no.2, 2011.

Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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