Obesidade infantil e alimentação

por Nutricionista Karen Falzeta Falco Innocentini - CRN3 27588

O número de crianças com sobrepeso ou obesidade tem aumentado de maneira significativa. Isso preocupa muito os pais e familiares, já que junto a este quadro surgem doenças crônicas como hipertensão e diabetes que não eram tão presentes nessa faixa etária.

A criança deve ser estimulada a levar uma alimentação saudável para que não sofra com a obesidade, necessitando ser balanceada e adequada com todos os grupos alimentares:

  • energéticos (fornecem energia necessária para a realização das atividades físicas: pães, batatas, arroz etc.);
  • construtores (formam tecidos e mantêm estruturas orgânicas: leite, queijos, carnes, frango, peixes, ovos, feijões etc.);
  • reguladores (vitaminas e minerais: frutas, legumes e verduras).

A alimentação também precisa ser livre de açúcares, gorduras e muito sódio e pobre em frituras, alimentos gordurosos e alimentos com muita caloria vazia, ou seja, com baixo valor nutritivo, como por exemplo, os fast foods.

Geralmente os produtos industrializados também apresentam esse perfil, além de ter muitos aditivos químicos, utilizados pelas indústrias alimentícias para melhorar o sabor, aspecto e durabilidade dos produtos, e que não trazem benefícios à nossa saúde. As preparações caseiras são mais saudáveis e ricas em nutrientes.

Deve-se dar preferência às preparações cozidas, assadas, grelhadas ou ensopadas. Rica em fibras e com alto consumo de água, e não refrigerantes ou sucos industrializados, artificiais. É necessária a prática habitual da alimentação mais natural, com sucos de frutas naturais em vez do refrigerante, um doce de frutas, compotas, geléias, bolo de cenoura, de iogurte, etc. em vez de tortas e bolos recheados, carregados de chantilly, creme de leite e chocolate.

Proibir as guloseimas como salgadinhos, balas e doces não é uma boa idéia, já que estimularão ainda mais o interesse da criança, mas podem-se estabelecer horários adequados para serem consumidos e em quantidades suficientes para não atrapalharem o apetite na próxima refeição e nem substituí-la. Se esses alimentos são incluídos na alimentação como parte da socialização escolar, de forma esporádica, não acarretam riscos à saúde.

É importante que toda a família tenha orientações para uma alimentação saudável. Isso pode ajudar a criança a crescer com bons hábitos, pois o primeiro e principal fator alimentar da criança são os hábitos da família, que se refletem diretamente nas escolhas da criança. A criança reproduz exatamente o que vê. Portanto, se os pais desejarem que seus filhos tenham uma alimentação saudável, esta prática deve ser transformada em um hábito familiar.

Além disso, é essencial ter paciência e persistência, pois crianças em fase de formação de hábitos alimentares não aceitam novos alimentos prontamente. É uma fase em que a criança se nega a experimentar aquilo que não faz parte de suas preferências alimentares ou alimentos desconhecidos. O que lhe agradam são os mais doces e muito calóricos. Isso é normal, já que o sabor doce não necessita de aprendizagem como os demais sabores, pois é inato ao ser humano.

Os pais, geralmente por medo de que a criança perca peso ou passe fome, oferecem apenas os alimentos que são aceitos. Cabe aos pais, portanto, colocar os limites quanto ao horário, quantidade e qualidade.

Algumas técnicas alimentares inadequadas, tais como ameaças, punições, súplicas, subornos, insistências em maneiras e comportamentos à mesa também podem resultar em recusa alimentar. Forçar uma criança a comer um determinado alimento pode ser associado a um confronto.

Para se modificar o comportamento de recusa, o novo alimento deve ser provado várias vezes, sem qualquer coerção. A criança apenas deve saber que os pais esperam que ela experimente, ainda que seja em quantidade mínima. Somente dessa forma a criança estabelecerá seu padrão de aceitação ao conhecer o sabor do alimento.

É importante que os pais sejam firmes nas condutas e orientados por profissionais. Para começar devem-se modificar os comportamentos alimentares inadequados da criança e da própria família. Todos os fatores envolvidos no processo da alimentação terão influência no estabelecimento de hábitos alimentares adequados, e dependem de relação positiva e sólida, desde a criança até seu alimentador, seja mãe, pai ou outro indivíduo. Esse é o momento de proporcionar oportunidade de desenvolver habilidades para alimentar-se, aceitar uma ampla variedade de alimentos e socializar em torno da comida.

Fonte:  ANutricionista.Com - Karen Falzeta Falco Innocentini - CRN3 27588 - Nutricionista em São José do Rio Preto.

Referências Bibliográficas:
BARCELOS, M.F.P.; PEREIRA, M.C.A. Nutrição nas diversas fases da vida. Curso de pós-graduação: nutrção humana e saúde, Universidade Federal de Lavras - UFLA FAEPE, 2002.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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