O que são guias alimentares?

por Nutricionista Marcella Lamounier - CRN1 3568

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A alimentação é apropriada é essencial para o adequado crescimento e desenvolvimento dos seres humanos, pois ela proporciona ao organismo energia e nutrientes necessários para o bom desempenho de suas funções e para a  manutenção de um bom estado de saúde. Entretanto, as práticas alimentares sofreram várias adaptações para hábitos pouco saudáveis, ocorrendo mudanças nos padrões da alimentação levando a consequências desvantajosas à saúde e ao estilo de vida. No Brasil, essa transição é comumente percebida pela redução da desnutrição e pelo aumento da obesidade, sendo verificado o crescimento no consumo de açúcares, gorduras e carnes e diminuição de frutas, verduras e cereais.

Frente a esse fenômeno de mudança e surgimento de novos problemas nutricionais, observado no Brasil e em outros países, os guias alimentares tornaram-se ferramentas importantes de educação e informação, com objetivos de promover o bem-estar nutricional e garantir o direito básico à alimentação pelo fornecimento de orientações nutricionais sobre hábitos e práticas alimentares adequadas. Esses guias são desenvolvidos após estudos feitos com uma população específica, para que o instrumento criado possa repassar as mensagens tanto na escolha dos grupos de alimentos quanto nas porções diárias necessárias para que uma dieta seja saudável.

Para ser um material efetivo de educação nutricional, um guia alimentar deve apresentar as seguintes características: simplicidade, praticidade, de fácil divulgação, permitir a utilização por indivíduos e profissionais de diversas áreas, e que as mensagens sejam baseadas na variedade, moderação e proporcionalidade dos alimentos que devem compor uma dieta balanceada.

Geralmente esses guias são representados por figuras gráficas, as quais são elaboradas de maneira que consigam causar o impacto necessário na população, com o propósito de fazer com que as pessoas recordem as informações sobre os alimentos e suas proporções e as coloquem em prática. Neles, os alimentos são reunidos em grupos e o tamanho das porções é estabelecido.

Dentre os vários modelos representativos de guias alimentares conhecidos hoje, podemos citar:

- Roda dos alimentos: figura muito usada na Europa, em que a circunferência é dividida em várias seções conforme a quantidade recomendada de porções diárias. Os guias alimentares em forma de pizza e prato também têm objetivos semelhantes.

- Locomotiva: divulgado em países da América Latina, especialmente na Colômbia e no Paraguai. O que muda na representação dessa figura é o tamanho diferenciado dos vagões, seguindo o mesmo raciocínio da roda.

- Arco – íris e flor: guias usados no Canadá e no Uruguai, respectivamente. Também seguem os mesmos princípios dos guias anteriores.

- Pião: utilizado no Japão, porém se diferencia na sua divulgação (pois não expressa alimentos isolados, e sim preparações a base dos alimentos que fazem parte da cultura do país).

- Pirâmide alimentar: guia atualmente usado no Brasil. Os alimentos estão dispostos em patamares, também seguindo a ideia dos demais guias citados.

Conclusão: Os guias alimentares representam um instrumento importante para atender ações de educação nutricional, pois facilitam a aprendizagem e adaptação de uma conduta alimentar mais saudável. Esses guias devem se ajustar às recomendações de nutrientes de cada grupo populacional, respeitando a fase de vida. Também, deve-se considerar outras características do público – alvo, tais como fatores econômicos, culturais, sociais e escolaridade, pois os conceitos nutricionais devem ser bem entendidos para que realmente haja uma adesão efetiva de uma alimentação equilibrada. Independentemente de qual representação gráfica é utilizada, o material sempre deve expressar os conceitos de variedade, frequência e proporção dos alimentos.

Fonte:  ANutricionista.Com - Marcella Lamounier - CRN1 3568 - Nutricionista em Brasília.

Barbosa RMS, Colares LGT, Soares EA. Percepção de responsáveis e recreadores sobre diferentes representações gráficas de guia alimentar para crianças de dois a três anos. Rev Paul Pediatr 2008; 26: 350-56.
Lanzillotti HS, Couto SRM, Afonso FM. Pirâmides alimentares: uma leitura semiótica. Rev Nutr 2005; 18: 785-92.
Horta PM, Pascoal MN, Santos LC. Atualizações em guias alimentares para crianças e adolescentes: uma revisão. Rev Bras Saúde Matern Infant 2011; 11: 115-24.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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