Nutrientes e crescimento

por Nutricionista Marcella Lamounier - CRN1 3568

crescimento

O crescimento normal acontece por mudanças progressivas na altura e no peso. A progressão do crescimento é influenciada por alguns fatores, tais como o potencial genético da criança, a velocidade de crescimento, o estágio puberal atual, a presença ou ausência de doenças, as condições da gestação e parto, além das condições nutricionais. Quando não alcançado seu potencial genético para altura, a criança é diagnosticada com déficit de crescimento ou baixa estatura. Em termos clínicos, é considerada com baixa estatura aquela criança ou adolescente que está significativamente abaixo da média de altura para um indivíduo da mesma idade e sexo segundo os padrões estabelecidos para população.

Visto que a altura final de um indivíduo é alcançada devido à interação das características genéticas e a disponibilidade de nutrientes durante o período de crescimento, é importante ressaltar que a deficiência de alguns micronutrientes (vitaminas e minerais) e a desnutrição estão, de alguma forma, envolvidos no atraso de crescimento.

Então, o artigo comentará sobre outros nutrientes envolvidos nesse processo, além daqueles já citados em artigos anteriores.

Zinco

O zinco participa de uma variedade de processos celulares, como co-fator para inúmeras enzimas, produção de proteínas e de material genético (DNA e RNA). Ainda pode influenciar a regulação de hormônios que atuam sobre a divisão e proliferação das células (GH e IGF-I). O zinco também é encontrado na estrutura cristalina dos ossos, tornando possível a necessidade de sua participação para a formação e calcificação óssea. Portanto, esse mineral é essencial para o crescimento, e na adolescência, sua retenção no organismo aumenta significativamente durante a fase de estirão (fase de rápido crescimento).

Os sintomas observados na deficiência deste elemento incluem lesões de pele, alteração na função imunológica e retardo do crescimento, pois diminui a formação e dos ossos tornando-os mais fracos e finos.

Ferro

O ferro tem papel no desenvolvimento cognitivo, sistema imune, parte ativa de enzimas, transporte respiratório do oxigênio e gás carbônico pelo sangue, e componente de estruturas essenciais ao organismo, como o caso das proteínas hemoglobina (transporta oxigênio dos pulmões às células) e mioglobina (transporta e armazena oxigênio nos músculos).

Esse mineral é importante no crescimento, especialmente na adolescência, por auxiliar na construção da massa muscular acompanhada por aumento do volume sanguíneo.

Vitamina A

A vitamina A desempenha função essencial na visão, mecanismos de defesa e na reprodução humana. Seu envolvimento no processo de crescimento está relacionado com a secreção do hormônio GH a noite, assim como no desenvolvimento do esqueleto através do seu efeito sobre a síntese de proteínas e diferenciação das células ósseas.

A dificiência de vitamina A provoca a queratinização (espécie de ressecamento) das membranas que revestem os sistemas respiratório e digestório, o trato urinário, pele e olhos, diminuindo a função de barreira que essas membranas desempenham para proteger o organismo contra infecções. A deficiência prolongada pode produzir cegueira noturna e úlceras na córnea. Outros sintomas são perda de apetite e paladar, inibição do crescimento e anormalidades ósseas.

Ácido fólico (folato)

Assim como o zinco, o folato age como coenzima em várias reações celulares, é necessário na divisão celular e na formação do DNA e RNA. O folato é extremamente importante para o desenvolvimento fetal devido ao rápido crescimento durante a gestação. O folato também é essencial para a formação de células sanguíneas (hemácias e leucócitos) na medula óssea.

A principal consequência de sua deficiência é a alteração do metabolismo do DNA. Isso resulta em mudanças na forma das células, especialmente aquelas com maior velocidade de multiplicação (hemácias, leucócitos, células do estômago, intestino, vagina e cérvix uterino). A deficiência de folato pode resultar em crescimento deficiente, e ainda anemia megaloblástica e outras doenças sanguíneas, glossite e distúrbios gastrintestinais.

Nutrição e crescimento estão intimamente associados, já que as crianças não conseguem alcançar seus potenciais genéticos de crescimento se não tiverem suas necessidades nutricionais básicas atendidas. Procure um nutricionista para uma adequada avaliação e orientação.

Fonte:  ANutricionista.Com - Marcella Lamounier - CRN1 3568 - Nutricionista em Brasília.

Referências Bibliográficas:
Bueno AL, Czepielewski MA. Micronutrientes envolvidos no crescimento. HCPA 2007; 27: 47-56.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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