Nutrição infantil: como fazer?

por Nutricionista Tatiane Trevilato de Brito - CRN3 26450

nutrição infantil

Até os 6 meses de idade, é indiscutível a importância do aleitamento materno exclusivo, pois fornece todos os nutrientes importantes para o bebê, além de anticorpos e outras substâncias fundamentais. Lembrando que não devemos oferecer nem água e chás neste momento.

A partir dos 6 meses, a criança vai conhecendo e experimentando outros alimentos, na chamada “Alimentação complementar”, sendo essencial que a mãe já comece a incentivar uma alimentação equilibrada à criança.

No início o ideal é que os alimentos sejam preparados especialmente para a criança. Eles devem ser inicialmente semi-sólidos e macios (sob a forma de purê), devendo ser amassados e não liquidificados. A consistência da dieta deve ser aumentada gradativamente, respeitando-se as habilidades da criança.

A partir dos 8 meses, a criança pode receber os alimentos consumidos pela família, desde que amassados, desfiados ou cortados em pedaços pequenos. Aos 12 meses, a maioria das crianças pode receber o mesmo tipo de alimento consumido pela família, desde que com consistência adequada.

Entre 2 e 3 anos de idade, a alimentação deve ser capaz de suprir as demandas de macro e micronutrientes. Nesta fase elas apresentam uma diminuição no crescimento e ganho de peso, o que acarreta em uma redução do apetite. O apetite nesta fase é irregular e pode variar de um dia para o outro. Assim, em um dia ela pode aceitar determinado alimento e no outro recusá-lo.

Nesta fase, a criança está desenvolvendo sua coordenação motora, com destaque à aquisição da capacidade de se alimentar sozinho. O estabelecimento de horários regulares para as refeições e utensílios (copos, pratos e talheres) adequados para cada idade são condições  importantes para que a criança experimente e aceite melhor os alimentos. Os lanches intermediários também devem ser saudáveis, já que nesta idade os hábitos alimentares estão em formação.

Recomenda-se fazer a introdução de novos alimentos e preparações de forma gradual, respeitando-se os interesses da criança e auxiliando no aprendizado do consumo de uma dieta equilibrada. A criança, ao experimentar e aceitar o alimento, apresenta uma grande chance de aprová-lo e incluí-lo em seus hábitos alimentares.

É importante respeitar horários e refeições a serem realizadas. A criança deve comer cereais, verduras, legumes, carnes, leguminosas e frutas. Os pais não devem estimular o consumo de guloseimas e alimentos de baixo valor nutricional. Lembre-se que os filhos são o reflexo dos pais, e isso ocorre também na alimentação. Para desfrutar de uma vida saudável, é importante que o indivíduo mantenha uma alimentação equilibrada desde a infância. As crianças encontram dificuldades para fazer as refeições, isso porque elas não apreciam o gosto dos alimentos que são realmente saudáveis.

Contudo, é preciso encarar o desafio e priorizar os bons hábitos alimentares do seu filho. Quando ele começar a manifestar interesse por alimentos como legumes e frutas, prepare os pratos de uma maneira mais criativa e colorida, para ele se mostrar mais interessado.  Substitua os alimentos de baixo valor nutricional por outros que possuam uma maior quantidade de nutrientes, melhorando o sabor com novas receitas. A criatividade do cuidador é fator fundamental para que as crianças tenham o hábito de uma alimentação saudável.

As fases da vida pré-escolar e escolar e da adolescência são excelentes momentos para uma orientação nutricional ativa e participativa, portanto, a alimentação deve ser saudável e adequada a cada uma destas fases, respeitando-se as características individuais.

Lembre- se sempre que a alimentação está diretamente relacionada às emoções e sensações, é um ato de convívio social, no qual os alimentos são fortes representações psicológicas. Essas experiências são conduzidas desde o nascimento, com o aleitamento materno até a fase adulta.

Portanto, vamos ficar atentos à forma que alimentamos as crianças, já que estes hábitos se estenderão por muito tempo. E se precisar de ajuda, consulte um nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Tatiane Trevilato de Brito - CRN3 26450 - Nutricionista em Ribeirão Preto.

Philippi ST, Fisberg RM, Latterza AR, Cruz ATR, Colucci ACA, Fisberg M. Pirâmide alimentar infantil. In: Anais da 1ª Semana Acadêmica de Ciência e Cultura da Faculdade de Saúde Pública – USP, 1999; São Paulo. São Paulo: Faculdade de Saúde Pública – USP; 1999c. p.57.

Monte CMG, Giugliani ERJ, Carvalho MFCC, Philippi ST, Albuquerque ZPA. Guia alimentar para crianças menores de dois anos. Brasília: Ministério da Saúde; 2002.

PHILIPPI, Sonia Tucunduva; CRUZ, Ana Teresa Rodrigues; COLUCCI, Ana Carolina Almada. Pirâmide alimentar para crianças de 2 a 3 anos. Rev. Nutr., Campinas, v. 16, n. 1, Jan. 2003.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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