Memória e alimentação

por Nutricionista Francis Moura Santos - CRN5 3243/P

No decorrer da vida a nossa memória vai sofrendo alterações. Situações do nosso cotidiano que nos expõe constantemente ao estresse e  a substâncias tóxicas ao nosso organismo, associada aos maus hábitos alimentares como uma alimentação rica em gordura trans e alimentos inflamatórios pode piorar ainda mais a nossa cognição e prejudicar a nossa memória. Outro fator, também relacionado com a alimentação, que pode prejudicar nossa memória é a nossa saúde intestinal. Mas calma, nem tudo está perdido! Estudos têm demonstrados que alguns nutrientes e compostos bioativos podem nos ajudar diminuindo os efeitos deletérios dos fatores ambientais ao qual estamos expostos e da propensão genética. Ou seja, uma vida menos estressante e uma alimentação balanceada são a chave para uma boa memória na vida adulta.

A memória sofre influencias do meio em que vivemos, mas também está associada ao fato genético. Mas é válido lembrar que os fatores genéticos, apesar de contribuir bastante para o aparecendo de determinadas doenças, pode ser controlado/modulado, evitando assim o desenvolvimento da doença em si.

Entre os fatores ambientais que exercem efeito deletério à memória, temos:

  • Estresse: uma pessoa exposta constantemente a situações de estresse pode desenvolver desordem do humor e ansiedade. A liberação de substância associadas ao estresse (como glicorticóides) pode prejudicar o armazenamento da memória.
  • Metais pesados: elementos como o chumbo (atualmente mais bem consolidado), arsênio, e alumínio são os mais associados aos efeito deletérios na memória.
  • Substâncias tóxicas: Bifenilas policloradas (PCBs) pode afetar o aprendizado, memória e desenvolvimento cerebral.
  • Ácidos Graxos Trans: obesidade central, doenças cardiovasculares e resistência insulínicas são alguns fatores que estão sendo relacionados ao desenvolvimento de doenças que prejudicam a função cognitiva.
  • Hormônios Intestinais: o intestino influencia a capacidade de adquirir novas memórias e controlar as emoções.

Ainda bem, que para a nossa salvação, a natureza é sabia. E na sua sabedoria, ela nos disponibiliza vários nutrientes e compostos bioativos que tem ação na regulação da memória, como:

  • Colina: associada à formação de várias enzimas importantes para a função cognitiva, entre elas a fosfatidilcolina, é um nutriente encontrado em alimentos como ovos, fígado, gérmen de trigo e leite materno. Associado ao ácido fólico, têm um efeito importante na formação do tubo neural do feto, sendo sugerido também durante a gestação
  • Flavonóides: com uma importante ação antioxidante, este grupo de compostos bioativos encontrado em alimentos como frutas, vegetais, cereais, chás, vinhos e sucos, protege os neurônios de danos causados por radicais livres, auxilia na regeneração de neurônios e ainda estimula a formação de novos neurônios.
  • Curcumina: os estudos ainda são iniciais com a curcumina, mas seu efeito como antiinflamatório é bastante conhecido e os pesquisadores têm demonstrado, em ratos, que a cúrcuma teria a capacidade de proteger o neurônio evitando assim a sua morte.
  • Taurina: é um dos aminoácidos mais abundante no cérebro e está associado à proteção dos neurônios contra o efeito dos radicais livres.
  • Teanina e Cafeína: a cafeína além da sua ação de melhorar o estado de alerta, ainda tem efeito na melhora da ação cognitiva. A teanina teria influencia na proteção dos neurônios contra o efeito tóxico da cafeína, além de controla a sua ação excitatória. E os dois juntos, geralmente consumido em chás, melhorariam o desempenho cognitivo e atenção.
  • Ômega 3: associado à diminuição de estado inflamatório e melhora do sistema cardiovascular, o ômega 3, principalmente o ácido docosahexaenóico (DHA) também é importante para preservação e melhora da cognição e aprendizado.

Vimos acima muitos nutrientes que podem contribuir para que a nossa memória permaneça sempre no seu melhor estado, mas não podemos esquecer de tratar o nosso intestino antes disso, e se possível, fazer uma detoxificação, visando eliminar o excesso de toxinas ao qual o nosso organismo foi exposto durante os anos. Mas não esquecendo que o nutricionista tem um papel muito importante nesse tratamento, afinal de contas, é este profissional que vai balancear o seu cardápio de forma a fornecer todos os nutrientes necessário para a melhora e preservação da sua memória.

Fonte:  ANutricionista.Com - Francis Moura Santos - CRN5 3243/P - Nutricionista em Salvador.

KOMATSU, Camila. Distúrbio de atenção e déficit de memória: como melhorar a nossa memória nos tempos atuais. Revista VP. ed. 50. ano 2011.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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