L-carnitina: Funciona na perda de peso?

por Nutricionista Daniela Mendes Tobaja - CRN3 27602

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A carnitina é um nutriente gerado pelo nosso corpo, a partir da lisina, metionina, vitamina B6 e B3, vitamina C e ferro. Esse nutriente também é encontrado em alimentos de fonte animal, principalmente na carne vermelha.

Mais conhecido como transportador de gordura, a carnitina também age retardando o envelhecimento das células cerebrais, podendo refletir na capacidade de concentração, memória, aprendizagem entre outros.

No ramo de suplementação, a L-carnitina é comumente associada com a perda de peso e pelo aumento do desempenho físico.

A carnitina age da seguinte forma: para “queimar gordura”, inicialmente ela deve ser transporta para outra célula (mitocôndria), mas as gorduras por si só não conseguem passar por determinadas membranas por serem impermeáveis, necessitando da carnitina para se tornarem permeáveis e entrarem no interior da mitocôndria onde poderão ser “quebradas” para produção de energia.

Foi então, que surgiu a hipótese de que, quanto mais carnitina maior seria a “queima de gordura”, pois haveria mais transportadores e a sua utilização poderia acontecer de forma mais rápida, até ai ok. Mas, o que a maioria dos estudos encontrou é que na pratica, a carnitina por si só não se faz eficiente para a quebra de gordura.

Observado é que a suplementação de L-carnitina não influencia ou modifica o ciclo normal de metabolização das gorduras, e doses mais elevadas acabam sendo eliminadas pela urina. E por mais que a carnitina transporte a gordura, 70% dela retornam aos triacilglicerois, em vez de serem metabolizadas.

Além disso, as pesquisas notaram que indivíduos obesos já apresentam grandes concentrações de carnitina, tanto no fígado como no músculo esquelético.  E em obesos mórbidos, a relação de carnitina chega a ser duas vezes maior quando comparado a indivíduos com o peso dentro da normalidade.

Agora, com o avanço da idade e conseqüentemente perda de massa muscular, é possível que alguns indivíduos apresentem uma queda nos níveis de carnitina, o que é mais comum em vegetarianos e mulheres que em geral apresentam uma perda significativa de massa muscular. Para esses casos, é possível que a suplementação de L-cartinina apresente discretos resultados.

Embora ainda sejam necessários mais estudos, a suplementação de L-carnitina tem apresentado resultados benefícos nos casos:

- Doenças cardiovasculares: a carnitina tem se apresentado um importante coadjuvante no tratamento de afecções cardiovasculares.

- Isquemia do miocárdio (angina, infarto agudo do miocárdio e insuficiência cardíaca): a carnitina tem apresentado melhoras no desempenho físico de pacientes com angina além de melhora na função cardíaca.

- Doença arterial periférica: A doença arterial periférica é uma manifestação comum da aterosclerose.  A suplementação de carnitina pode ser benéfica por melhorar o desempenho físico, podendo contribuir no aumento da força muscular.

- Doenças renais: pacientes submetidos a diálise podem se beneficiar com a suplementação de carnitna, uma vez que esse tipo de tratamento pode provocar perdas de alguns nutrientes, inclusive a carnitina, podendo causar fraqueza muscular, miopatia, intolerância a glicose, perda de proteína corporal, entre muitos outros sintomas.

- Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS): é freqüente pacientes com HIV apresentarem baixas concentrações musculares de carnitina, devido à maior excreção por diversos motivos. Em alguns casos, o tratamento com L-carnitina pode resultar em redução dos níveis de triglicerídeos. Embora apresente alguns benefícios, a suplementação de carnitina não é preconizada pela Sociedade Internacional de AIDS.

- Neuropatia diabética: a carnitina tem apresentado resultados benéficos no aumento do fluxo sangüíneo (em animais).

Para maiores orientações procure um nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Daniela Mendes Tobaja - CRN3 27602 - Nutricionista em Piracicaba.

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Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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