Importância do cálcio no crescimento infantil

por Nutricionista Marcella Lamounier - CRN1 3568

A alimentação pode influenciar o crescimento normal de um indivíduo de forma positiva ou negativa. As vitaminas e os minerais participam dos processos de crescimento e de desenvolvimento físico, neuromotor, sexual, entre outros.

Nesse contexto, vale ressaltar a importância nutricional dos minerais para as crianças, dentre eles o cálcio, considerado essencial para o crescimento e aumento da estatura, desempenhando forte papel na mineralização óssea, desde a formação até a manutenção dos ossos e dentes. Além disso, o cálcio está envolvido nos processos de transporte de nutrientes nas células, secreção hormonal, ativação e liberação de enzimas em várias vias de metabolismo, coagulação sanguínea, contração muscular, transmissão de impulsos nervosos e regulação da função muscular cardíaca.

Como o cálcio é um nutriente não produzido pelo próprio organismo, é necessário ser adquirido através da ingestão diária de alimentos ricos nesse mineral. São fontes de cálcio: as hortaliças de folhas verdes escuras (como a couve, folha de mostarda, brócolis e nabo), leguminosas como a soja, sardinhas, salmão, moluscos e alguns alimentos enriquecidos. O leite e seus produtos derivados são considerados as principais fontes dietéticas de cálcio, pois estes apresentam maior biodisponibilidade nesse grupo alimentar.

Alguns alimentos e outros produtos podem influenciar na absorção de cálcio no intestino. Esse processo pode ser diminuído quando se consome grandes quantidades de fibra na dieta, presença de fatores antinutricionais nos vegetais (como ácido oxálico e ácido fítico, por exemplo), excesso de gorduras e de proteínas na alimentação, cafeína, álcool, alguns medicamentos e a deficiência de vitamina D. Já a presença da lactose (açúcar naturalmente presente no leite) pode aumentar a absorção do mineral.

O fósforo é outro nutriente diretamente envolvido no metabolismo do cálcio, pois ele também participa da mineralização dos ossos. Tanto a ingestão excessiva de fósforo como o baixo consumo de cálcio podem alterar a proporção adequada entre eles, e um padrão alimentar que mantenha essa relação por muito tempo pode agravar a perda óssea de cálcio.

Em geral, as proteínas de origem animal (carnes, peixes, aves e ovos) são boas fontes de fósforo, assim como o leite e substitutos, nozes, leguminosas, frutas e vegetais. Portanto, o fósforo está amplamente disponível nos alimentos, inclusive nos produtos processados e nos refrigerantes, acrescentado como aditivo pelas indústrias de alimentos. Entretanto, deve-se haver um esforço consciente no sentido de selecionar porções suficientes de alguns alimentos ricos em cálcio para manter uma proporção adequada entre os dois minerais.

Também vale ressaltar que aspectos próprios de cada indivíduo, como as condições de saúde e os fatores genéticos, podem influir sobre a disponibilidade desses minerais.

Alguns estudos demonstram que o baixo consumo alimentar de cálcio na infância e na adolescência pode causar déficit de crescimento e desenvolvimento durante a puberdade, maiores chances de desenvolver sobrepeso ou obesidade, aparecimento de doenças ósseas, fraturas com maior frequência e osteoporose em idade mais avançada. Logo, as modificações alimentares ao longo do tempo com redução no consumo ou subtituição por alimentos pobres em cálcio na infância trazem maiores riscos de deficiência, prejudiciais à saúde como um todo.

Uma boa saúde óssea está associada a hábitos alimentares saudáveis, especialmente com a ingestão adequada de cálcio, que deve ser estimulada desde os primeiros anos de vida.

Fonte:  ANutricionista.Com - Marcella Lamounier - CRN1 3568 - Nutricionista em Brasília.

Mahan, LK, Escott-Strump, S. Krause alimentos, nutrição & dietoterapia. Editora Roca, 2002.
Buzinaro, EF, Almeida, RNA, Mazeto, GMFS. Biodisponibilidade do cálcio dietético. Arq Bras Endocrinol Metab 2006; 50: 852-61.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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