Implicações nutricionais para atletas de sexo feminino: a trÃade
por Nutricionista Perla Menezes Pereira - CRN3 14198
Atualmente, há um incentivo do aumento da atividade fÃsica como forma de qualidade de vida, o que é válido e muito importante. Assim, cada vez mais as mulheres buscam por exercÃcios para manter o fÃsico e mesmo aumentar a performance – esporte amador ou de competição. Dentro desse cenário, observamos um fenômeno ainda desprezado pela maioria das pessoas (famÃlia, treinadores, atletas), a trÃade da atleta do sexo feminino. Ginastas, bailarinas, patinadoras, corredoras, lutadoras, tenistas, nadadoras de nado sincronizado e amazonas são apontadas como as modalidades em que a presença da trÃade é frequente. A trÃade diminui a performance e promove comorbidades médicas (aumento de lesões e fraturas) e até psicológicas.
O principal fator para a ocorrência da trÃade é a “pressão” que as mulheres sofrem para atingir e manter um peso “irreal” – há pesquisas mostrando que até modalidades que não tem o peso como fator muito determinante, como o futebol, há a ocorrência da trÃade. Meninas ganham massa gorda na puberdade e são encorajadas a perder peso para melhorar a performance e a aparência, muitas recorrem a diuréticos, jejum prolongado e restrição alimentar, o que as colocam em risco nutricional. Um estudo norueguês mostrou que há maior risco de desenvolvimento da trÃade em atletas em comparação a mulheres não atletas. E, entre o grupo de atletas, foi observado risco maior entre as modalidades que “precisam” de fÃsico magro, bem como entre as modalidades artÃsticas que dependem da estética magra.
A trÃade é uma adaptação fisiológica relacionada ao gasto energético negativo por longos perÃodos de tempo. A disponibilidade energética baixa acarreta disfunção menstrual (amenorréia hipotalâmica) e perda de massa óssea, estando ligada ou não a desordem alimentar (bulimia e anorexia). Está bem estabelecida na literatura que a principal causa de osteoporose/osteopenia em mulheres menores de 16 anos é a reduzida produção de hormônios ovarianos. Entretanto, devemos reconhecer que a trÃade também ocorre entre as atletas que não buscam a perda de peso como meta. Isso, simplesmente pelo excesso de treinamento – “overtraining“. O treinamento inibe o centro da fome, localizado no hipotálamo, em virtude do aumento da temperatura corporal que ocorre durante e persiste após o treinamento. Além disso, há modalidades esportivas que demandam necessidade de ingestão calórica diária de 6000 Kcal ou mais – há atletas que precisam comer um volume grande de alimentos o dia todo. Importante salientar que a manifestação clÃnica da trÃade se apresenta quando a ingestão energética diária é menor que 30 Kcal/g de massa magra.
Os sinais da trÃade precisam ser reconhecidos pela famÃlia e treinadores e eles não deveriam pressionar as garotas em virtude do peso. Portanto, mulheres fisicamente ativas e as atletas deveriam ser educadas quanto a nutrição e práticas seguras de treinamento. Com relação ao tratamento da trÃade, ele deve ser individualizado e multidisciplinar, com a ingestão calórica adequada ao gasto energético diária e a recomendação de cálcio em 1500 mg ao dia e vitamina D em torno de 400-800 UI ao dia, como forma de restabelecer o metabolismo ósseo. É extremamente importante apontar o papel do nutricionista no processo de tratamento, pois apenas o restabelecimento do estado nutricional mostra-se efetivo na reversão da trÃade. Não há tratamento farmacológico capaz de reverter, por si só, os efeitos da osteopenia nem a perda da função reprodutiva - a nutrição é a linha de frente do tratamento. Nos casos em que há transtornos alimentares (anorexia/ bulimia) envolvidos, a terapia psicológica também deve ser implementada.
Fonte: ANutricionista.Com - Perla Menezes Pereira - CRN3 14198 - Nutricionista em Ribeirão Preto.
Torstveit MK; Sundgot-Borgen J. The female athelet triad: are elite atheletes at increased risk? Med. Sci. Sports Exerc. 2005. 37 (2): 184-193.
Warr BJ; Woof K. The female athelet triad: patients do best with a team approach to care. Endocrinol. Metab. Clin. North Am. 2010. 39 (1): 155-167.













