Fome e peso: como são regulados?

por Nutricionista Paulo Henrique Rodrigues - CRN8 6476

Cérebro-Intestino

Toda vez que ouvimos falar sobre a obesidade, ouvimos também que esta é uma doença crônica, inflamatória, e que está associada a diversos fatores. O que pouco se fala é que existem alguns fatores internos, ou seja, gerados pelo seu corpo, que determinam a sua fome e o controle do seu peso. É preciso entender o que o seu corpo faz para se proteger, antes de se declarar “em dieta”, e fechar a boca, ato esse que todos que nos acompanham aqui, sabe que não é correto.

A regulação do consumo alimentar e do armazenamento de energia é feita por fatores neuronais, endócrinos, adipocitários e intestinais, por exemplo.

FATORES NEURONAIS

A ingestão alimentar e o gasto calórico são regulados pela região hipotalâmica do cérebro, além de o apetite ser regulado pelo hipotálamo. Atualmente sabe-se que no hipotálamo há dois grupos de neuropeptídeos (estrutura capaz de modular certos aspectos da função neuronal) envolvidos nos processos orexígenos (estimula a fome) e anorexígenos (inibe a fome). Sabe-se também que os neurônios (células nervosas) que expressam esses neuropeptídeos interagem com outros fatores (leptina, insulina e etc.), que veremos a seguir.

FATORES ENDÓCRINOS E ADIPOCITÁRIOS

Assim como o todo o nosso corpo, o tecido adiposo (ou tecido gorduroso) é constituído por células. As células que ali encontramos se chamam adipócitos. Durante muito tempo se pensava que os adipócitos serviam apenas para estocar gordura, hoje já se sabe que estas células possuem função endócrina, ou seja, são capazes de produzir e secretar hormônios, como a leptina, principal hormônio associado ao controle de peso.

Sabe-se que a leptina tem uma ação conjunta muito forte com a insulina (hormônio produzido no pâncreas). A leptina age no hipotálamo, promovendo sensação de saciedade e regulando o balanço energético. A insulina aumenta a captação de glicose promovendo uma queda da glicemia sanguínea, o que serve de estímulo para o apetite. É importante ressaltar que essa ação da insulina é perfeitamente normal, e ocorre em qualquer organismo. A questão é a rapidez em que essa captação da glicose acontece.

FATORES INTESTINAIS

O simples fato de existir alimentos no trato gastrointestinal favorece a modulação do apetite, através da secreção de diversas substâncias. Essas substâncias combinadas aos outros fatores, como os ditos aqui, agem no sistema nervoso central regulando a fome e a saciedade. O CCK (Colecistoquinina) além de promover a saciedade, induz a secreção pancreática e biliar, ou seja, favorece a digestão. Os peptídeos YY e PYY também são inibidores da ingestão alimentar, sua regulação parece ser neural, já que seus níveis no sangue estão bastante elevados imediatamente a ingestão alimentar. A OXM (Oxintomodulina) é mais um inibidor da ingestão alimentar a curto prazo, age diminuindo o apetite e diminui a concentração sanguínea da grelina, que falaremos a seguir. A OXM é secretada nas porções finais no intestino, assim como o GLP1 (Glucagon-like-peptide), que atua inibindo o esvaziamento do estômago, promovendo uma sensação de saciedade mais prolongada.

A grelina, secretada pela mucosa gástrica é um dos mais importantes sinalizadores da ingestão alimentar. Durante período de jejum e momentos antes de uma refeição sua concentração é alta, caindo logo depois, devido ação da OXM. Sua ação é estimular o apetite, além das secreções gástricas e a motilidade (movimento de digestão). A presença e ação da grelina é inversamente proporcional a leptina.  Percebe-se então a participação ativa da grelina no balanço energético, uma vez que ela está envolvida no estimulo para se iniciar uma refeição.

COMO A ALIMENTAÇÃO PODE INFLUIR?

De modo geral, podemos concluir que a alimentação seja rica em fibras e que ocorra em intervalos máximos de três horas. Uma das importâncias de se ingerir alimentos ricos em fibras, é que elas retardam a digestão e consequentemente a absorção da glicose, ou seja, a glicose entra aos poucos na corrente sanguínea e assim uma quantidade menor de insulina entra em ação. Além disso, quanto mais difícil for a digestão mais o alimento percorre o tubo digestivo, assim ele chegará até as porções finais do intestino e estimulando a secreção da OXM e do GLP1. Como dito, nos jejuns a grelina encontra-se em alta e uma das suas ações é estimular o apetite, ou seja, quanto mais tempo você fica sem comer, maiores são as chances de você comer mais do que o necessário.

Portanto, a dica é fazer várias refeições durante o dia, porém em pequenas quantidades. Além das refeições principais como café da manhã, almoço e jantar, realizar lanches nos intervalos. Tenha um bom consumo de frutas e verduras, que são importantes fontes de fibras, vitaminas e minerais, e sempre que possível opte por opções integrais de alimentos que você já consumo, como pão, arroz, biscoitos, macarrão e etc. Mas vale lembrar que junto com um bom consumo de fibras é importantíssimo um bom consumo de água. No caso de dúvidas, procure um nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Paulo Henrique Rodrigues - CRN8 6476 - Nutricionista em Marialva.

Romero, C.E.M; Zanesco, A. O papel dos hormônios leptina e grelina na gênese da obesidade. Rev. Nutr., Campinas, 19(1):85-91, jan./fev., 2006.

Halpern, Z.S.C; Rodrigues, M.D.B; Costa, R.F. da. Determinantes fisiológicos do controle de peso e apetite. Rev. Psiq. Clin. 31 (4); 150-153, 2004.

Lima, F.B. Tecido adiposo: uma breve perpectiva histórica e o momento atual.Arq Bras Endocrinol Metab. Editorial, 2008.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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