Feijões e Nutrição

por Nutricionista Perla Menezes Pereira - CRN3 14198

Os vários tipos de feijões são importantes para a alimentação humana porque representam uma das melhores fontes protéicas vegetais da dieta. A dieta brasileira tem, como característica cultural, a dupla arroz-feijão, mas nos últimos 30 anos o consumo per capita de feijão caiu de 22 para 13 kg anuais. Mas, o que isso pode significar na prática e na saúde das pessoas? É isso, que o presente artigo vai discutir.
O Brasil é grande produtor de feijão (Phaseolus vulgaris), que é alimento rico em fibras, amido, ferro e compostos antioxidantes, o que predispõe a classificá-lo com alimento funcional, devido os resultados de estudos que relacionam o consumo do grão a proteção/prevenção contra certas doenças e comorbidades. O feijão é recomendado na prescrição dietética de várias doenças, como doenças cardiovasculares, diabetes melitus, obesidade e cânceres. Os principais institutos de nutrição recomendam a ingestão de ao menos uma porção de feijão ao dia.
Os estudos epidemiológicos e dados do Ministério da Saúde comprovam que a principal causa de morte, no Brasil, são as doenças cardiovasculares e os eventos relacionados a elas. Estudos brasileiros mostraram o potencial de espécies de feijão preto, carioquinha e vermelho na redução do colesterol sérico. Em experimento conduzido com ratos hipercolesterolêmicos, o consumo de extrato de feijão foi responsável pela redução dos níveis de colesterol e LDL-c, mesmo eles sendo alimentados por dieta rica em lipídeos saturados. Indivíduos obesos e com sobrepeso que foram suplementados com extrato de feijão apresentaram redução de 6% nos níveis de colesterol em 6 meses de estudo. A resistência à insulina e a tolerância à glicose também pode ser controlada por meio do consumo de feijão, segundo os estudos.
Os componentes do grão, que parecem influenciar a ação funcional dele no controle metabólico podem estar relacionados às fibras solúveis e insolúveis e também aos taninos, compostos fenólicos, aos fitosteróis, saponinas e fitatos presentes no grão. Entretanto, o mecanismo de ação do alimento ainda é desconhecido – os efeitos sinérgicos de vários componentes parecem estar envolvidos. Dessa forma, podemos afirmar que as pessoas com concentrações moderadamente altas de colesterol e frações e glicemia podem ser beneficiadas pelo consumo de grãos de leguminosas, especialmente os feijões.
Estudos que especulam sobre a ação dos feijões na prevenção de câncer relatam algumas evidencias: retardamento da digestão do amido no cólon intestinal, o que ocasiona fermentação e formação de ácidos graxos de cadeia curta (acetato, butirato e proprionato); os fitatos do grão se ligam ao ferro e ao zinco, impedindo a proliferação celular. Além disso, os ácidos graxo de cadeia curta proporcionam um ambiente ácido ao meio, o que por si só já protegeria contra agentes cancerígenos, como o amônio por exemplo.
Composição do feijão:
Proteínas: teor balanceado de aminoácidos essenciais;
Fibra Alimentar: associada ao controle de peso, melhora da glicemia e prevenção de doenças cardiovasculares;
Saponinas: remoção de radicais livres e atividade anticancerígena;
Fitosteróis: estrutura similar ao colesterol, interferem na absorção intestinal de colesterol dietético;
Polifenóis: antioxidantes presentes na casca do grão e relacionados à prevenção de doenças cardiovasculares, cânceres e diabetes melitus;
Fitatos: altera a digestibilidade e absorção de amidos e proteínas, se liga a minerais como ferro, cálcio e zinco (reduzindo a absorção intestinal deles), sendo relacionado à redução da glicemia sanguínea, à prevenção de cânceres e ao controle do colesterol e lipídeos sanguíneos;
Oligossacarídeos: principalmente a rafinose, estaquiose e verbascose, que metabolizados pelas bactérias intestinais estimulam os movimentos peristálticos e previnem a obstipação intestinal (prisão de ventre).
Assim, motivos não faltam para manter e privilegiar o consumo dos feijões na dieta brasileira seja eles roxo, vermelho, preto, carioquinha, fradinho ou branco. Façamos desse grão nosso aliado na afirmação da cultura alimentar brasileira e na nossa saúde.

Os vários tipos de feijões são importantes para a alimentação humana porque representam uma das melhores fontes protéicas vegetais da dieta. A dieta brasileira tem, como característica cultural, a dupla arroz-feijão, mas nos últimos 30 anos o consumo per capita de feijão caiu de 22 para 13 kg anuais. Mas, o que isso pode significar na prática e na saúde das pessoas? É isso, que o presente artigo vai discutir.

O Brasil é grande produtor de feijão (Phaseolus vulgaris), que é alimento rico em fibras, amido, ferro e compostos antioxidantes, o que predispõe a classificá-lo com alimento funcional, devido os resultados de estudos que relacionam o consumo do grão a proteção/prevenção contra certas doenças e comorbidades. O feijão é recomendado na prescrição dietética de várias doenças, como doenças cardiovasculares, diabetes melitus, obesidade e cânceres. Os principais institutos de nutrição recomendam a ingestão de ao menos uma porção de feijão ao dia.

Os estudos epidemiológicos e dados do Ministério da Saúde comprovam que a principal causa de morte, no Brasil, são as doenças cardiovasculares e os eventos relacionados a elas. Estudos brasileiros mostraram o potencial de espécies de feijão preto, carioquinha e vermelho na redução do colesterol sérico. Em experimento conduzido com ratos hipercolesterolêmicos, o consumo de extrato de feijão foi responsável pela redução dos níveis de colesterol e LDL-c, mesmo eles sendo alimentados por dieta rica em lipídeos saturados. Indivíduos obesos e com sobrepeso que foram suplementados com extrato de feijão apresentaram redução de 6% nos níveis de colesterol em 6 meses de estudo. A resistência à insulina e a tolerância à glicose também pode ser controlada por meio do consumo de feijão, segundo os estudos.

Os componentes do grão, que parecem influenciar a ação funcional dele no controle metabólico podem estar relacionados às fibras solúveis e insolúveis e também aos taninos, compostos fenólicos, aos fitosteróis, saponinas e fitatos presentes no grão. Entretanto, o mecanismo de ação do alimento ainda é desconhecido – os efeitos sinérgicos de vários componentes parecem estar envolvidos. Dessa forma, podemos afirmar que as pessoas com concentrações moderadamente altas de colesterol e frações e glicemia podem ser beneficiadas pelo consumo de grãos de leguminosas, especialmente os feijões.

Estudos que especulam sobre a ação dos feijões na prevenção de câncer relatam algumas evidencias: retardamento da digestão do amido no cólon intestinal, o que ocasiona fermentação e formação de ácidos graxos de cadeia curta (acetato, butirato e proprionato); os fitatos do grão se ligam ao ferro e ao zinco, impedindo a proliferação celular. Além disso, os ácidos graxo de cadeia curta proporcionam um ambiente ácido ao meio, o que por si só já protegeria contra agentes cancerígenos, como o amônio por exemplo.

Composição do feijão:

Proteínas: teor balanceado de aminoácidos essenciais;

Fibra Alimentar: associada ao controle de peso, melhora da glicemia e prevenção de doenças cardiovasculares;

Saponinas: remoção de radicais livres e atividade anticancerígena;

Fitosteróis: estrutura similar ao colesterol, interferem na absorção intestinal de colesterol dietético;

Polifenóis: antioxidantes presentes na casca do grão e relacionados à prevenção de doenças cardiovasculares, cânceres e diabetes melitus;

Fitatos: altera a digestibilidade e absorção de amidos e proteínas, se liga a minerais como ferro, cálcio e zinco (reduzindo a absorção intestinal deles), sendo relacionado à redução da glicemia sanguínea, à prevenção de cânceres e ao controle do colesterol e lipídeos sanguíneos;

Oligossacarídeos: principalmente a rafinose, estaquiose e verbascose, que metabolizados pelas bactérias intestinais estimulam os movimentos peristálticos e previnem a obstipação intestinal (prisão de ventre).

Assim, motivos não faltam para manter e privilegiar o consumo dos feijões na dieta brasileira seja eles roxo, vermelho, preto, carioquinha, fradinho ou branco. Façamos desse grão nosso aliado na afirmação da cultura alimentar brasileira e na nossa saúde.

Fonte:  ANutricionista.Com - Perla Menezes Pereira - CRN3 14198 - Nutricionista em Ribeirão Preto.

Referências Bibliográficas:
Birketvedt G et al. Dietary supplementation eith bean extract improves lipid profile in overweight subjects. Nutrition. 18: 729-733. 2002.

Cardoso SMG et al. Hipercolesterolemia e produção de radicais livres: efeitos protetores das fibras alimentares. Nutrire. 31 (2): 123-134. 2006.

Chiaradia AC; Gomes JC. Feijão: química, nutrição e tecnologia. Fundação Arthur Bernardes, Viçosa/ MG, 1997. 180p.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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