Como estimular hábitos saudáveis na infância?

por Nutricionista Laura dos Santos Pola - CRN3 27426/P

Pense na lancheira de uma criança de 7 anos. Quais alimentos você consegue visualizar?

Aposto que pensou em guloseimas e alimentos práticos como biscoitos recheados, refrigerantes e salgadinhos industrializados. Infelizmente, essa é a realidade de nossas crianças nos dias atuais.

A criança tem um organismo que não está totalmente formado: desenvolve-se a cada dia, cresce e se modifica a cada momento. E para que todas essas alterações ocorram de maneira adequada, são necessários diversos nutrientes. Por isso, é cada vez mais discutido e evidenciado a importância de uma dieta diversificada e equilibrada para a criança, de modo que a mesma consiga atingir um desenvolvimento pleno, de acordo com o seu potencial genético.

Por isso, eu pergunto: será que estamos garantindo uma alimentação saudável e diversificada para nossas crianças? E vou mais além: será que nós (pais, tios, avós, irmãos e cuidadores) estamos ensinando-os hábitos  saudáveis através de nossos exemplos?

Devemos, desde o início, estimular o senso crítico das crianças, principalmente, em relação ao que elas estão comendo. Como assim? É muito simples: a criança deve ser informada sobre os benefícios dos alimentos saudáveis para que aprenda a se responsabilizar pelo consumo dos mesmos. Tudo isso de maneira descontraída e lúdica, é evidente.

Envolver as crianças no preparo de alimentos faz toda a diferença. A criança tem que se sentir parte do processo. Tente o seguinte: inicie logo na compra um diálogo sobre o alimento com a criança. “Que tal deixar o arroz mais bonito e colorido hoje?”. Compre cenoura, pimentão verde e milho em espiga. Comente como as cores são bonitas, vibrantes.

Quando iniciar o pré-preparo dos alimentos (lavar, picar, ralar) permita que a criança ajude (com restrições, é claro). Ela pode, por exemplo, pegá-los na geladeira ou transferi-los para uma tigela. Durante o processo, explique os benefícios: cenoura faz bem para os olhos e deixa a pele bonita, pimentão protege contra a gripe, milho faz bem para o intestino, etc… Frise sempre que eles são deliciosos e importantes para a saúde.

Depois de preparados, sente com a criança e aprecie a refeição: converse sobre o aroma, a textura, as cores… Mostre que comer bem envolve prazer e tranquilidade. Não dá para almoçar em 10 minutos, vamos combinar!

Infelizmente, estamos perdendo o prazer à mesa. As refeições são feitas às pressas, sem uma escolha alimentar consciente e saudável. Isso dificulta todo o processo.

Lembre-se, somos espelho: a criança aprende por condicionamento. Se a família não gosta de brócolis, por exemplo, provavelmente a criança também não gostará, por dois motivos principais:

1. Terá pouco contato com a hortaliça, pois a família dificilmente irá prepará-la, ou seja, não aprenderá a gostar do sabor do alimento. Detalhe: quando o brócolis for preparado a criança será “obrigada a comer porque precisa”.

2. Quando surgir o assunto “brócolis” os familiares irão demonstrar desagrado porque o julgam como um alimento não saboroso. A criança absorve isso de maneira surpreendente. Quando tiver contato com o brócolis, vai recusar sem pestanejar.

Pense em sua responsabilidade: a alimentação da criança deve ser, desde o início, tão variada e saudável quanto for possível. Os hábitos alimentares são formados nos primeiros anos de vida e ficam arraigadas por toda uma vida!

Fonte:  ANutricionista.Com - Laura dos Santos Pola - CRN3 27426/P - Nutricionista em Bauru.

Referências Bibliográficas:
MAHAN, L.K. ESCOTT-STUMP, S. Alimentos, nutrição & dietoterapia.
Ed. Roca. 11 ed., p. 162. 2005.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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