Caralluma Fimbriata: efeitos positivos ou modismo?

por Nutricionista Dárika Ribeiro Fernandes - CRN1 4605

Caralluma fimbriata

Caralluma fimbriata

A Caralluma fimbriata é um cacto comestível utilizado pelos povos tribais da Ìndia e Paquistão para suprimir a fome e aumentar o rendimento há milênios. Ela também é encontrada na África, Espanha e Arábia Saudita. Esses povos acreditam que a planta é capaz de curar diabetes e impedir o acúmulo de gordura.

Na verdade a maioria dos estudos com Caralluma utiliza várias espécies, não sendo a Caralluma fimbriata a principal, como pensaríamos, já que a planta está na moda no Brasil atualmente. Estes estudos pesquisaram os vários efeitos da planta, não necessariamente relacionados com o peso corporal ou apetite.

Estudos mostram atividade anti-inflamatória e anti-tumoral significativa. Já outros autores mostraram atividades supressoras de tumor (anti-câncer) e contra úlcera de estômago. A espécie C. tuberculata tem sido extensamente utilizada para amenizar a febre e também contra dores articulares. O extrato de C. arabica foi utilizado para se avaliar a atividade contra dores musculares em ratos inflamados e como resultado obteve-se real significancia, o que confirma o uso comum da planta para o tratamento da dor e das condições inflamatórias.

Um dos poucos estudos feito com humanos e a Caralluma foi de 2006, que avaliou indivíduos com sobrepeso que foram divididos em dois grupos: os que ingeriram extrato de Caralluma fimbriata por 2 meses e aqueles que ingeriram um placebo. Depois de 30 e 60 dias de intervenção fizeram-se testes de glicose e lipídeos sanguíneos, antropometria, medição da ingestão alimentar e avaliação do apetite. Como resultados, os autores encontraram declínio significante na medida da circunferência da cintura quando comparados com o grupo placebo. O que nem todo mundo diz quando cita esse famoso estudo é que apesar da tendência a diminuição, os autores não consideraram significante a diferença de peso corporal antes e depois do uso da planta, IMC (índice de massa corporal), gordura corporal e ingestão de energia. Caralluma parece apenas suprimir apetite e reduzir a circunferência da cintura quando comparado com placebo, fatos que podem auxiliar na perda de peso corporal mas não são determinantes.

Um pouco antes de 2006, mais exatamente em 2004, uma pesquisa feita pelo Western Geriatric Research Institute em Los Angeles (duplo-cego, placebo, controlado) com 26 pessoas consumindo Caralluma todo dia por um mês, e observou-se após o período uma perda de peso.

Esses dois estudos feitos com humanos e com resultados relativamente bons devem ser vistos com cautela já que os grupos de voluntários eram pequenos (50 e 26 pessoas, respectivamente).

Quanto a toxicidade e seus efeitos negativos, os poucos estudos existentes são feitos com ratos que recebem altas doses e os resultados não mostram qualquer alteração nos animais. Não existem estudos de toxicidade realizados com humanos, mas algumas péginas da internet reforçam que a planta é um meio natural e inócuo de perder peso, e que é utilizada há anos (não produzindo efeitos negativos). Porém, o que nós utilizamos aqui no Brasil é o extrato e não a planta in natura.

Sendo assim, devemos ter cuidados ao utilizar o extrato da planta, lembrando que são necessários mais estudos a longo prazo, feitos com um número grande de pessoas, com extratos padronizados de Caralluma fimbriata e o principal: milagres para a perda de peso devem ser vistos com cautela e a mudança alimentar continua sendo o foco de quem quer perder peso e manter o peso, e esta mudança deve ser orientada por um nutricionista. Além disso o uso da planta é terminantemente proibido para crianças, adolescentes, mulheres grávidas e idosos. Se houver o consumo de fitoterápicos manipulado, que seja na quantidade correta recomendada por seu médico ou nutricionista. Também vale ressaltar que o uso da caralluma é permitido somente na forma de extrato seco. A única forma autorizada do produto é a manipulada, que só pode ser vendida por farmácias registradas na vigilância sanitária e com prescrição de um profissional habilitado.

Fonte:  ANutricionista.Com - Dárika Ribeiro Fernandes - CRN1 4605 - Nutricionista em Brasília.

Kuriyan. R., et al. Effect of Caralluma Fimbriata Extract on appetite, food intake and anthropometry in adult Indian men and women. Appetite, (2007).

Lawrence, RM, and Choudhary, S. Caralluma Fimbriata in the Treatment of Obesity. 12th Annual World Congress of Anti-Aging Medicine, December 2004, Las Vegas, USA.

Tariq Mariq Mahmood, et al. Molecular and Morphological characterization of Caralluma species. Pak. J. Bot., 42(2): 1163-1171, 2010.

S. Venkatesh et al. Antihyperglycemic activity of Caralluma attenuate. Fitoterapia, Volume 74, Issue 3, April 2003, Pages 274-279.

M. N. M. Zakaria et al. Anti-nociceptive and anti-inflammatory properties of Caralluma Arabica. Journal of Ethnopharmacology, Volume 76, Issue 2, July 2001, Pages 155-158.

Wadood A, Wadood N, Shah SA. Effects of Acacia arabica and Caralluma edulis on blood glucose levels of normal and alloxan diabetic rabbits. J Pak Med Assoc. 1989 Aug;39(8):208-12.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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2 Comentários para “Caralluma Fimbriata: efeitos positivos ou modismo?”

  1. maria elena rocafort comentou:

    O meu endócrino me receitou esse componente associado a outros, mas não está surtindo o efeito esperado. Ainda não retornei ao médico. Vamos ver como ele avalia.

  2. nutricionista comentou:

    Oi Maria Elena!

    Todo fitoterápico tem uma ação, mas é pequena perto de suas atitudes. Para ter o efeito esperado é necessário a reeducação alimentar associada à prática de atividade física. O fitoterápico pode ser utilizado como uma estratégia quando você já tiver fazendo a sua parte no tratamento. Em relação à medicamentos, só um médico pode orientá-la. Abraços!

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