Alimentação na doença celíaca

por Nutricionista Marcella Lamounier - CRN1 3568

Os intestinos delgado e grosso são órgãos importantes nos processos de digestão, absorção de nutrientes e excreção. Muitas doenças e distúrbios intestinais ocorrem por alterações na dieta, ou pela presença de determinados alimentos e nutrientes na alimentação habitual.

A doença celíaca, também conhecida por enteropatia sensível ao glúten, é causada por uma resposta auto-imune do organismo à gliadina (componente do glúten). Como toda reação auto-imune faz com que o sistema imunológico do indivíduo produza anticorpos contra as células de seu próprio organismo. A doença celíaca traz como consequência danos às vilosidades da mucosa intestinal quando a pessoa susceptível à enfermidade consome alimentos contendo glúten.

O aparecimento da doença celíaca pode acontecer desde a infância até a vida adulta, e sua detecção é feita através de testes sorológicos e por endoscopia com biópsia. Porém, a variedade de sintomas faz com que se leve muito tempo até confirmar o diagnóstico, possivelmente trazendo muitos prejuízos à saúde do indivíduo.

A forma clássica da doença manifesta sintomas com alterações do funcionamento intestinal, tais como diarréia e fezes de aparência anormal, flatulência, abdome inchado e até vômitos. Dessa maneira, o celíaco apresenta potenciais problemas de má absorção de nutrientes. Outros sintomas e alterações também podem ser observados, como: cançaso, irritabilidade, osteoporose, anemia e até infertilidade. Algumas vezes a intolerância à lactose ocorre de forma secundária à doença celíaca, e quando esta é controlada, a intolerância pode desaparecer.

Alguns estudos documentaram uma maior frequência na associação de outras doenças como fatores de risco concomitantes à doença celíca, tais como diabetes melito tipo 1, epilepsia, outras doenças auto-imunes e síndrome de Down.

Pelo fato da doença celíaca ser uma intolerância permanente, o tratamento tem como base o seguimento de uma dieta totalmente isenta de glúten por toda vida, o que não significa que a pessoa não consiga seguir uma alimentação balanceada. Para isso, é muito importante que o celíaco converse com o nutricionista ou médico para ser esclarecido sobre sua doença e o seguimento do tratamento.

Alguns cuidados especiais na alimentação:

- A restrição está mais ligada ao grupo dos cereais e nos produtos derivados (farinhas, pães, biscoitos, entre outros produtos disponíveis no mercado), pois o glúten está presente na composição deles. Portanto, a pessoa nunca pode comer alimentos derivados do trigo, aveia, centeio, malte e cevada. Já o arroz e milho são liberados;

- As verduras, frutas, carnes, ovos, peixes, óleos e leguminosas (feijão, lentilha, soja, entre outros) e água podem ser consumidos à vontade. Porém, o leite e seus produtos derivados só podem ser ingeridos quando o celíaco não apresentar intolerância à lactose;

- Deve-se tomar cuidado durante a preparação dos alimentos do celíaco, pois qualquer descuido que leve ao contato com glúten pode lhe trazer prejuízos;

- Ler o rótulo dos alimentos deve-se tornar um hábito do celíaco, pois nas embalagens deve conter a informação se o alimento contém glúten ou não. Em caso de dúvida, a melhor opção é não consumir o alimento.

Lembre-se que para orientações individualizadas e tratamento da doença, deve-se procurar um profissional Nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Marcella Lamounier - CRN1 3568 - Nutricionista em Brasília.

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Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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