Alimentação, mídia e tecnologia

por Nutricionista Marcella Lamounier - CRN1 3568

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A obesidade sempre foi destacada como uma epidemia do século XXI, afetando crianças e adultos. No caso da obesidade infantil, os riscos à saúde associados ao excesso de peso (por exemplo, desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis) estão relacionados não só às mudanças de padrão alimentar, mas também ao estilo de vida desses jovens. Quando se fala dessas mudanças, o que mais chama a atenção é o aumento da ingestão de alimentos altamente calóricos associado a comportamentos sedentários, especialmente passando horas jogando vídeo game, na frente de um computador ou assistindo televisão. Essas práticas em conjunto contribuem para o ganho de peso, com grande acúmulo de gordura.

Hoje em dia a compra de computadores e vídeo games tornou-se comum, facilitando o acesso das crianças e adolescentes aos conteúdos da internet e jogos eletrônicos. Na América do Norte, quase 97% dos adolescentes de 12 a 17 anos têm computadores e vídeos games de vários tipos em casa, sendo que 31% deles brincam com algum jogo eletrônico diariamente. O problema desse hábito é que normalmente ocorre o consumo de alimentos calóricos durante essa atividade, principalmente aqueles nutricionalmente pobres (biscoitos, salgadinhos e refrigerantes). Pesquisas recentes relatam que a união desses dois processos causa ganho de peso porque o jovem fica muito tempo em uma atividade que não o faz gastar as calorias consumidas, reduz o tempo de uma refeição adequada para ter mais tempo para jogar, e a atenção voltada ao computador ou ao vídeo game faz a pessoa perder a percepção da quantidade de comida ingerida, além de não perceber os sinais sensoriais de fome e saciedade do corpo.

A televisão tornou-se o principal meio de veiculação da mídia, pois o aparelho não é somente fonte de informação, mas também de lazer para grande parte da população. As mensagens transmitidas na TV podem ser extremamente importantes à promoção de saúde, como também podem conter informações errôneas nas propagandas, as quais reforçam hábitos alimentares inadequados.

A quantidade de propagandas veiculadas na TV aos jovens e crianças sobre alimentos pouco nutritivos sempre foi intensa, pois desde a idade precoce já se cria fidelidade em relação a alguma marca ou produto, fidelidade essa que tende a permanecer na vida adulta. Outro fator importante é que uma criança pode ficar mais de 4 horas por dia em frente à TV absorvendo essas informações. Esses anúncios publicitários possuem argumentos com forte apelo psicológico, utilizando personagens infantis que despertam o desejo de consumo, brindes, geralmente colecionáveis, associados à aquisição do produto, modelos de pessoas bonitas e sadias ingerindo frequentemente esses alimentos, e recursos para chamar a atenção (como slogans e músicas facilmente memorizados).

Dois estudos realizados no Brasil avaliaram as propagandas dos alimentos anunciados, e ambos observaram nenhuma propaganda de vegetais e frutas. Porém, os alimentos mais divulgados são industrializados, ricos em gorduras e açúcares, tais como balas, doces, refrigerantes, chocolate, biscoitos, salgadinhos prontos e fast food, alimentos nutricionalmente pobres. A maioria dos comerciais passa no horário da manhã, período em que há maior número de programas destinados às crianças.

Fonte:  ANutricionista.Com - Marcella Lamounier - CRN1 3568 - Nutricionista em Brasília.

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Maddison R, Foley L, Mhurchu CN. Effects of active video games on body composition: a randomized controlled trial. Am J Clin Nutr 2011; 94: 156 - 63.
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Fiates GMR, Amboni RDMC, Teixeira E. Comportamento consumidor, hábitos alimentares e consumo de televisão por escolares de Florianópolis. Rev Nutr 2008; 21: 105 - 14.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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