Alimentação e distúrbios digestivos

por Nutricionista Marcella Lamounier - CRN1 3568

refluxogastroesofagico

Os distúrbios digestivos são considerados um dos problemas mais comuns na saúde. A doença do refluxo gastroesofáfico (DRGE) geralmente ocorre como resultante do refluxo de ácido gástrico ou do conteúdo intestinal na área do esôfago, podendo até causar uma inflamação denominada esofagite.

Esse quadro pode ser desencadeado pela ingestão de algum agente irritante, infecção viral ou uso de sonda, tornando-se crônica por demora do esvaziamento gástrico, aumento de pressão na região abdominal, vômitos recorrentes, presença de hérnia de hiato, diminuição da pressão fisiológica do esfíncter esofágico inferior e até mesmo por alterações metabólicas, neurológicas ou alérgicas.

Os sintomas mais comuns do refluxo gastroesofágico são a azia e a regurgitação, seguidos por outros sintomas como dor, plenitude pós-prandial (desconforto após a refeição), náusea e dificuldade de deglutir. Outro sintoma relatado sem muita frequência é o mal estar causado pelo aumento de saliva associado ao início da azia.

Também pode ocorrer apresentação clínica de problemas otorrinolaringológicos associados com refluxo, os quais incluem rouquidão, tosse crônica, pigarro, granulomas de cordas vocais, laringite e sinusite, carcinoma de laringe, halitose (mau hálito) e dores de ouvido. Do mesmo modo, doenças pulmonares podem aparecer, como asma, bronquite, pneumonia aspirativa e fibrose pulmonar.

Em crianças saudáveis menores de 2 anos de idade, os episódios de refluxo são normalmente fisiológicos e muitas vezes apresentam sintomas, sendo a regurgitação o mais característico. Essa situação foi denominada de regurgitação infantil, sendo diferenciada da doença do refluxo gastroesofágico. A regurgitação é um evento frequente e que a maioria das crianças, mesmo sem tratamento específico, fica assintomática após o primeiro ano de vida, e que poucas ainda regurgitam durante o segundo ano.

As manifestações clínicas da doença do refluxo gastroesofágico na infância são praticamente as mesmas dos adultos, porém aproximadamente 70 a 90% das crianças com refluxo apresentam vômitos. Dessa forma, várias complicações têm sido descritas devido ao refluxo, dentre elas: hemorragia digestiva, baixo ganho de peso e falta de desenvolvimento, irritabilidade, doenças pulmonares recorrentes, parada respiratória, síndrome de morte súbita do lactente, síndrome de Sandifer, alterações neuropsiquiátricas e até cardiopatias congênitas.

Crianças com doença do refluxo gastroesofágico podem desenvolver hipersensibilidade oral. A presença de regurgitações, dor, desconforto e esofagite são um dos principais fatores associados à recusa alimentar, choro durante as refeições, dificuldade em aceitar o cardápio proposto, rejeição de certas texturas e consistências, e o comportamento de manter o alimento na boca cuspindo-o após algum tempo sem tê-lo mastigado. Isso contribui para o aparecimento de prejuízos funcionais porque é comum que sejam feitas modificações nas refeições na tentativa de facilitar sua aceitação e consumo (alimentos mais leves e de menor consistência). Esse tipo de adaptação não favorece o amadurecimento dos padrões normais de alimentação, resultando em imaturidade mastigatória.

Hábitos alimentares e tipos específicos de alimentos podem ter um papel significativo no início, tratamento e prevenção de muitos distúrbios gastrointestinais. Em muitos casos, a dieta também pode exercer um papel na melhoria da sensação de bem-estar e na qualidade de vida, além da redução da dor e sofrimento. Com isso, os objetivos do cuidado nutricional são para:

1 – Prevenção da dor e da irritação – é importante evitar alimentos de pH ácido, tais como sucos cítricos, tomate e refrigerantes, pois podem causar dor quando o esôfago estiver inflamado. Uso de condimentos como a pimenta do reino causa irritação;

2 – Prevenção do refluxo – evitar bebidas alcoólicas, café e alimentos contendo cafeína, por aumentar a secreção gástrica. Refeições ricas em gordura, proteína e de alta quantidade calórica reduzem a velocidade do esvaziamento do estômago e estimulam a secreção gástrica. Alimentos gordurosos, álcool, bebidas gaseificadas e carminativos (menta e hortelã) reduzem a pressão do esfincter esofágico inferior, aumentando o refluxo;

3 – Redução da acidez – evitar o consumo de alimentos que aumentem a secreção gástrica (como os alimentos citados anteriormente).

Vale ressaltar que as medidas comportamentais para se evitar o refluxo são indicadas, como: elevação da cabeceira da cama, evitar deitar-se nas duas horas posteriores às refeições, evitar o uso de roupas apertadas, suspensão do hábito de fumar, além da perda de peso quando é diagnosticado obesidade.

Para orientações individualizadas agende consulta com um Nutricionista.

Fonte:  ANutricionista.Com - Marcella Lamounier - CRN1 3568 - Nutricionista em Brasília.

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Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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