A situação do Idoso no Brasil: Doenças Crônicas não Transmissíveis

por Nutricionista Camila Cialdini Faria - CRN9 9661

Há pouco tempo o Brasil era considerado um país de jovens, onde os idosos representavam um número pequeno na pirâmide etária populacional. Pouca atenção era dada aos idosos e os problemas ligados ao envelhecimento eram desconsiderados das questões sociais. Com o aumento da longevidade e a redução da taxa de mortalidade nas últimas décadas houve uma mudança no perfil demográfico brasileiro, deixamos de ser um “país de jovens” e o envelhecimento tornou-se uma questão fundamental para as políticas públicas.

Com o aumento da expectativa de vida para 71 anos, cresce o número de idosos. Simultaneamente, ocorreu uma transformação no perfil das doenças, onde as doenças crônicas da velhice ganharam maior expressão na sociedade. Apesar do processo de envelhecimento e do aumento da expectativa de vida no Brasil, ainda é grande a desinformação sobre a saúde do idoso, as particularidades e desafios deste envelhecimento populacional para a saúde pública. Este aumento de anos de vida precisa ser acompanhado pela melhoria, manutenção da saúde e da qualidade de vida. Fatos que obrigam o país a dar maior importância na prevenção e no tratamento de doenças crônicas não transmissíveis (DNTs).

O envelhecimento é um processo natural, porém nesse processo, o avanço da idade, submete o corpo humano a inúmeras mudanças anatômicas e funcionais, com repercussão nas condições de saúde e nutrição. Muitas dessas mudanças são progressivas, ocasionado efetivas reduções na capacidade funcional, desde a sensibilidade para gostos primários até alterações nos processos metabólicos do organismo. A forma que cada um passa por esta fase da vida depende da herança genética e dos fatores ambientais, como: estilo de vida, condições econômicas, cuidados com saúde e alimentação.

Com o objetivo de avaliar o estado nutricional da população brasileira, foi realizada a Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição que revelou, através da antropometria, o estado nutricional dos adultos e idosos brasileiros. Estima-se uma redução de 36% no grupo de baixo peso/desnutridos, com aumento maior dos números de sobrepeso/obesidade, reduzido o número de eutróficos. Dado verificado tanto no meio rural quanto no urbano. Portanto, a população adulta e idosa do Brasil apresenta alta prevalência de baixo peso e de obesidade.

À medida que os seres humanos envelhecem, as doenças não transmissíveis (DNTs) transformam-se nas principais causas de morbidez, deficiências e mortalidade em todo o mundo. Estas doenças, típicas de terceira idade, têm custos elevados para seus portadores, suas famílias e para o Estado. Á partir dos 45 anos de idade, as DNTs são responsáveis pela maioria das mortes e enfermidades, índice que aumenta com idades superiores a 60 anos. Fatores como tabagismo, sedentarismo, hábitos alimentares e obesidade aumentam o risco de desenvolvimento de DNTs nas idades mais avançadas.

Em nosso país, doenças cardiovasculares representam um problema para a saúde pública. Desde 1963, as doenças do aparelho circulatório matam mais que as outras causas de morte. Durante os últimos 30 anos, observa-se uma redução razoável no número de mortes por causa de doenças cardiovasculares em países desenvolvidos, enquanto elevações relativamente rápidas têm ocorrido no Brasil. Atualmente nas capitais brasileiras esta doença equivale a 17% dos gastos do SUS, representando 9,5% das internações, responsáveis por 24% das aposentadorias por invalidez e responsáveis por 27% dos óbitos.

Apesar deste declínio da mortalidade, as doenças cardiovasculares ainda são classificadas como as principais causas de morte no mundo atual. De acordo com as projeções de 2002 da OMS, essas doenças tendem a persistir, agravando ainda mais este quadro. Se não forem tomadas medidas preventivas efetivas, ocasionarão uma verdadeira epidemia de doença aterosclerótica coronariana com consequências desastrosas para a saúde pública.

As principais doenças crônicas que afetam os idosos são as doenças cardiovasculares, como: aterosclerose, dislipidemias, hipertensão arterial e derrame, dentre outras podemos citar: diabetes mellitus, câncer, doenças pulmonares obstrutivas, artrite, demência e depressão.

Nos países desenvolvidos a hipertensão arterial sistêmica (HAS) é o problema de saúde pública mais comum. Hoje no Brasil a HAS é classificada como um dos principais agravos à saúde. Devido suas decorrentes complicações, como doenças cérebro-vascular, arterial coronariana e vascular de extremidades, além de insuficiência cardíaca e insuficiência renal crônica. A hipertensão eleva o custo médico-social no país.

O Ministério da Saúde estima que 22% da população com idade superior a 20 anos sejam portadores de hipertensão arterial. Esta é responsável por 60% dos casos de infarto agudo do miocárdio, 80% dos casos de acidente cérebro vascular e 40% das aposentadorias precoces, significando para a saúde pública um custo de 475 milhões de reais por ano.

Chamada de assassino silencioso, pois muitas vezes pode ser assintomática por anos, a Hipertensão Arterial (HAS) não diagnosticada pode resultar em um ataque cardíaco fatal ou acidente vascular cerebral. Mesmo sendo uma doença que não apresenta cura, o tratamento e a prevenção reduzem a incidência de hipertensão e suas sequelas. A importância dada às modificações do estilo de vida deu à dieta um papel de destaque na prevenção primária e no tratamento da HAS.

Lipoproteínas como o Colesterol Total, HDL, LDL e Triglicerídeo (TG) compõem o perfil lipídico de um indivíduo. São caracterizadas dislipidemias as alterações nos níveis plasmáticos dessas lipoproteínas por diversos motivos, ou seja, são alterações no metabolismo dos lipídeos, elevação dos níveis de LDL, redução dos níveis de HDL e o aumento do TG, as quais podem ocorrer de forma isolada ou combinada. O HDL em altas concentrações exerce função protetora.

As principais implicações patológicas das dislipidemias são a aterosclerose e a doença arterial coronariana (DAC), a qual constitui, atualmente, uma das principais causas de morte nos países desenvolvidos. Estudos demonstram que a hipercolesterolemia é um dos principais fatores de risco para a DAC, uma vez que, aproximadamente, 96% do material lipídico do ateroma correspondem ao colesterol.

A aterosclerose é uma doença lenta e progressiva, caracterizada por uma resposta inflamatória e proliferativa às lesões da parede arterial. Sua prevenção passa pela identificação e controle, não só das dislipidemias, mas do conjunto dos fatores de risco que influenciam sua progressão, como idade, sexo, hereditariedade, tabagismo, DM, atividade física, alimentação, obesidade, HAS, dentre outros. A doença aterosclerótica é considerada hoje a principal causa de mortalidade no Brasil. Além de ser altamente prevalente, possui um perfil evolutivo silencioso e, quando se manifesta, pode ser fatal. A doença cardiovascular consequente da complicação da aterosclerose, é, hoje, a causa mais importante de morbidade e mortalidade entre idosos.

É desejável e necessária, em todas as etapas da vida, uma adoção de bons hábitos alimentares. Os maus hábitos alimentares podem comprometer o envelhecimento saudável. Uma dieta equilibrada em termos quantitativos e qualitativos oferece ao organismo à energia e os nutrientes necessários para o bom desempenho de suas funções e para a manutenção da saúde do indivíduo. Os alimentos são compostos por diversos nutrientes que exercem uma determinada função no organismo humano, sendo estes, indispensáveis à saúde.

Uma mudança de comportamento e uma maior preocupação com a alimentação vêm refletindo no aumento da expectativa de vida, através de medidas preventivas que reduzem os ricos de diversas doenças degenerativas, dando importância à relação nutrição-sáude-doença.

Fonte:  ANutricionista.Com - Camila Cialdini Faria - CRN9 9661 - Nutricionista em Belo Horizonte.

MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretária de Assistência à Saúde. Informações em Saúde: Mortalidade, 2002

ESTATUTO DO IDOSO. Legislação de Saúde. Ministério da Saúde, 2008.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Censo Demográfico da população do Brasil, 2008
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
Você é novo por aqui?

Receba nossas dicas por e-mail

Deixe seu Comentário

This website uses IntenseDebate comments, but they are not currently loaded because either your browser doesn't support JavaScript, or they didn't load fast enough.

Deixe um comentário