A importância de mastigar bem os alimentos

por Nutricionista Francis Moura Santos - CRN5 3243/P

Com o tempo de almoço cada vez mais reduzido, é cada vez mais comum encontrar pessoas que, literalmente, “engolem” a sua refeição, sem nem se preocupar em mastigar bem o alimento antes de ingerir. Mas por que mastigar bem os alimentos é importante?

Além do fato de nosso estômago não possuir dentes, a digestão do alimento se inicia na boca, onde as glândulas salivares produzem enzimas que são responsáveis por dar início ao processo digestivo, como a amilase que começa a digestão do amido e a lipase, que realiza uma pequena parte da digestão de gorduras. Nosso organismo produz cerca de 1,5L de saliva por dia.

A mastigação não somente ativa a salivação, como também é responsável por triturar o alimento. Quanto menor os alimentos estiverem, melhor será a digestão e absorção de seus nutrientes pelo intestino. Uma mastigação apropriada fornece ao nosso organismo o tempo necessário para liberar hormônios e sinalizadores que promovem uma maior saciedade. Comendo menos (devido à maior saciedade) há menor tendência ao ganho de peso. Além de proporcionar uma digestão adequada e uma maior absorção de nutrientes.

A seguir algumas dicas para melhorar a sua mastigação:

  • Sente-se confortavelmente na cadeira, ou seja, evite se alimentar em pé, andando ou enquanto realiza outras atividades. Relaxe e respire profundamente, algumas vezes, entre uma garfada e outra.
  • Aprecie o alimento que colocou no prato, perceba a quantidade, as cores, os formatos dos alimentos e procure saboreá-lo com calma, sentindo todos os sabores que compõe a sua refeição. Faça uma fotografia mental do que será ingerido, assim estará mandando uma mensagem para o cérebro de que a sua refeição será iniciada.
  • Leve uma pequena quantidade à boca e mastigue lentamente. Concentre-se na sua mastigação e nos sabores dos alimentos. Inicialmente, você pode fazer uma contagem mental da quantidade de mordidas. Deguste o alimento, sinta a textura, o aroma e a temperatura.
  • Enquanto mastiga descanse os talheres no prato.
  • No caso de biscoitos, bolos, doces, pães: coloque-os no prato em pequenas porções (ou pedaços) e a cada mordida, descanse os talheres no prato.
  • Evite assistir televisão, ler revistas, jornais ou falar ao telefone enquanto se alimenta.

Quando temos o péssimo hábito de mastigação, o dente não tritura bem o alimento e a saliva não age adequadamente, assim as enzimas existentes na saliva não vão realizar a pré-digestão do carboidrato.

Se o alimento não é bem mastigado e triturado, pedaços grandes chegam até o estômago, que como eu disse anteriormente, não possui dentes e por conta disso necessita de um maior trabalho para continuar com o processo digestivo, o que pode ocasionar pirose (azia), empachamento, dor e desconforto abdominal, fermentação, gases e até mesmo favorecer o aparecimento de gastrite. Continuando o processo digestivo, partículas grandes de alimentos podem chegar até o intestino, onde causa um desequilíbrio na microbiota intestinal, que está relacionado ao aparecimento de algumas doenças.

Diante do exposto, pode-se perceber que uma mastigação inadequada está relacionada a boa parte dos problemas digestivos da sociedade atual, sendo importante também para pessoas que já possuem problemas digestivos. Assim, a mastigação deve ser um hábito ensinado desde cedo. Devemos estimular as crianças a mastigarem bem os alimentos desde o nascimento dos primeiros dentes. Para tanto, se possui crianças em casa, prefira cozinhar bem ou amassar os alimentos, evitando utilizar liquidificador ou comidas industrializadas que já estão completamente trituradas, não possuindo pedaço para que a criança mastigue. Com o passar do tempo, a consistência dos alimentos deve evoluir, conforme a capacidade de mastigação da criança.

Fonte:  ANutricionista.Com - Francis Moura Santos - CRN5 3243/P - Nutricionista em Salvador.

HAERTEL, Jona et. al. Em busca do equilíbrio nutricional: Lapinha Spa: suas receitas, seus segredos. Rio de Janeiro: Ed. Senac, 2010.
MAHAN, L. Kathleen; STUMP-ESCOTT, Sylvia. Krause: alimentos, nutrição e dietoterapia. 11. ed. São Paulo: Rocca, 2005.
GUIMARAES, Renata Nicolay. A importância da mastigação. Disponível em: . Último acesso em: 21/11/2011.
LOPES, Cristina Garcia. A importância da mastigação. Disponível em: . Último acesso em: 21/11/2011.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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