A arginina no exercício

por Nutricionista Perla Menezes Pereira - CRN3 14198

A busca por recursos ergogênicos seguros no exercício e no esporte como meio de aumento da performance e redução da fádiga é uma  constante. Nesse cenário, os aminoácidos são os nutrientes mais estudados, principalmente porque participam do metabolismo energético, da regulação hormonal e da síntese proteíca. Discutiremos, neste artigo, o papel anabólico da arginina.

A arginina é um aminoácido semi-essencial sintetizado no organismo da pessoa saudável a partir do glutamato. Os estudos sobre arginina são abrangentes e destacam, principalmente, o seu papel na prevenção de doenças cardiovasculares, como precursora do óxido nítrico (NO) – responsável pela vasodilatação, na redução da viscosidade sanguínea, no processo de cicatrização e na redução do estresse oxidativo.

Funções da arginina:

  • Atua no sistema endócrino estimulando a liberação de catecolaminas, insulina, glucagon e hormônio de crescimento;
  • Atua como intermediário para a síntese de creatina e creatina fosfato, sendo importante para o ganho de força e explosão nos exercícios de alta intensidade e curta duração;
  • Atua na reparação tecidual por causa do aumento do fluxo sanguíneo em virtude da síntese aumentada de óxido nitrico;
  • Atua na detoxificação da amônia, pois exerce papel no metabolismo do nitrogênio como intermediário da síntese da uréia – é convertida em L-ornitina pela enzima arginase;
  • Melhora o sistema imunológico por promover a função de neutrófilos, a capacidade bactericida dos macrófagos e a resposta dos linfócitos.

A arginina atua no exercício aumentando a perfusão sanguínea no músculo via estímulo de NO, sendo essa via estimulada quando a suplementação é realizada momentos antes do exercício. Quando a suplementação de arginina for realizada fora dos períodos de exercício, o que observamos é o estímulo da produção do hormônio do crescimento (GH), responsável, entre outras coisas, pelo estímulo ao aumento da massa magra.

As vitaminas importantes para a formação de NO são a nicotinamida e a riboflavina e, também, o mineral cálcio. Dessa forma, a suplementação de arginina deve ser prescrita mediante a avaliação da dieta e das vias metabólicas de interesse. Portanto, o potencial ergogênico máximo só pode ser atingido mediante o trabalho de avaliação completa da dieta com suplementação assistida por profissional habilitado.

As doses pesquisadas e prescritas variam de 500 mg a 30 g ao dia, pelo período de 3 a 80 dias. Assim, é prudente que doses muito altas não sejam mantidas por muito tempo, mesmo não havendo evidencias de hepatotoxicidade e prejuízo renal em indivíduos saudáveis. Também é importante prescrever com precaução para indivíduos portadores de doenças hepáticas e insuficiência renal. Estudos com humanos mostraram que doses de 3-5g ao dia já são suficientes para o ganho de massa magra e ganho de força. A ingestão habitual de arginina na dieta ocidental está em torno de 5 g  ao dia, estando o aminoácido presente em todas as fontes proteícas de origem vegetal (feijões, grãos e sementes).

O trabalho de Angeli et al (2009) avaliou a suplementação de 3 g diárias de arginina por 8 semanas em indivíduos que praticaram treino de força 3 vezes por semana – foi demonstrado aumento de força e massa muscular no grupo suplementado, comparado ao grupo controle sem suplementação. Já Jobgen et al (2009) mostraram que a suplementação de arginina em ratos obesos que consumiram dieta hipergordurosa por 15 semanas, proporcionou redução na massa gorda branca e aumentou a massa muscular dos animais. Assim, a arginina pode também ser útil no controle da massa gorda.

Concluindo, o efeito agudo da suplementação de arginina corresponde ao aumento da capacidade de realizar o exercício e o efeito crônico corresponde ao aumento da síntese proteíca no músculo, com consequente efeito anabólico. Não podemos desconsiderar o fato de que o aumento da massa magra também depende da ingestão de outros nutrientes, como proteínas, aminoácidos, minerais, vitaminas e até mesmo certas gorduras.

Fonte:  ANutricionista.Com - Perla Menezes Pereira - CRN3 14198 - Nutricionista em Ribeirão Preto.

Angeli G et al. Investigação dos efeitos da suplementação oral de arginina no aumento de força e massa muscular. Rev Bras Med Esporte. 2007; 13 (2): 129-132.

Jobgen W et al. Dietary L-arginine supplementation reduce white fat gain and enhances skeletal muscle and brown fat mass in diet-induced obese rats. The Journal of Nutrition. 2009; 139: 230-37.

McConell GK. Effects of L-Arginine supplementation on exercise metabolism. Curr Opin Clin Metab Care. 2007; 10: 46-51.

Paddon-Jones D et al. Potential ergogenic effects of arginine and creatine supplementation. The Journal of Nutrition. 2004; 134: 2888s-94s.
Importante: As informações fornecidas não são individualizadas, portanto, um nutricionista deve ser consultado antes de se iniciar uma dieta. O artigo acima expressa a opinião do autor e pode NÃO refletir a opinião do site ANutricionista.
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